Benoît Crauste e Upaon Jazz Quinteto: jazz entre a França, a África e o Brasil, uma história de escuta encontra no Maranhão um novo lugar para criar

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Saxofonista francês Benoît Crauste apresenta o Upaon Jazz Quinteto no Convento das Mercês e conduz oficina de improvisação e criação musical para estudantes da Escola de Música do Bom Menino das Mercês.

O que acontece quando diferentes trajetórias musicais se encontram e transformam suas referências em novas possibilidades de criação? Em São Luís, essa troca ganha expressão no Upaon Jazz Quinteto, grupo liderado pelo saxofonista, compositor e produtor francês Benoît Crauste. Entre o jazz, as músicas africanas e brasileiras e a diversidade da cena instrumental maranhense, o quinteto constrói uma sonoridade marcada pela improvisação, pela escuta e pela criação coletiva.

Em outubro, essa experiência se desdobra em duas atividades na capital. No dia 27, das 8h às 9h30, Benoît conduz a oficina Entre o som e a escuta: experiências de jazz e improvisação, voltada aos estudantes da Escola de Música do Bom Menino das Mercês. No dia 29, às 20h30, o Upaon Jazz Quinteto sobe ao palco do Convento das Mercês para apresentar ao público o trabalho construído a partir desse encontro entre diferentes repertórios, experiências e maneiras de fazer música.

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Formado em São Luís, o Upaon Jazz Quinteto reúne Benoît Crauste, nos saxofones alto e soprano, Pedro Henrique, no trompete e flugelhorn, Carlos Ernane, na guitarra, Joares Miranda, no contrabaixo, e Ronald Nascimento, na bateria. Desde 2025, os músicos vêm construindo uma linguagem coletiva por meio de ensaios, apresentações e experiências compartilhadas. O resultado é uma música aberta à improvisação, em que a escuta e a interação entre os instrumentistas ocupam lugar central.

A sonoridade do quinteto transita pelo jazz, pela bossa nova, pelo samba jazz e por diferentes matrizes da música brasileira e africana. Com composições autorais e releituras, o grupo explora as possibilidades de diálogo entre melodias, ritmos, harmonias e improvisações. Mais do que aproximar estilos, a proposta é fazer dessas referências matéria de criação, permitindo que cada músico contribua para uma experiência musical em constante transformação.

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Uma trajetória entre França e Brasil

A relação de Benoît Crauste com a música brasileira faz parte de uma trajetória construída ao longo de mais de duas décadas. Formado pelo Conservatório de Paris, o saxofonista desenvolveu

experiências na cena afrobeat parisiense e aprofundou suas pesquisas sobre jazz, músicas africanas e brasileiras e criação coletiva.

Ao longo desse percurso, estabeleceu relações musicais com artistas como Itiberê Zwarg e André Marques. Em 2022, criou em Paris a Itiberê Orquestra Família da França, formação com 23 músicos que ampliou sua experiência com a prática coletiva e a investigação de novas possibilidades musicais.

Desde que se estabeleceu em São Luís, em 2025, Benoît passou a desenvolver um novo capítulo dessa trajetória em contato direto com a cena instrumental maranhense. A convivência com músicos locais, os ensaios e as apresentações deram origem ao Upaon Jazz Quinteto, projeto que encontra no Maranhão um território de criação e aprofundamento de sua pesquisa musical.

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Essa relação não se limita à incorporação de referências regionais a um repertório internacional. Ela se constrói no cotidiano da prática musical, na troca entre instrumentistas e na descoberta de caminhos que surgem quando diferentes experiências se encontram. É nesse espaço de escuta e experimentação que o quinteto desenvolve sua identidade.

Para Benoît, o trabalho desenvolvido em São Luís representa uma oportunidade de aprofundar sua pesquisa musical em diálogo com instrumentistas de diferentes trajetórias. “São Luís tem sido um lugar importante para desenvolver minha pesquisa musical em diálogo com músicos locais. O trabalho com o quinteto parte justamente desse encontro entre diferentes trajetórias e referências, em que a escuta e a troca entre os instrumentistas abrem novas possibilidades de criação”, afirma o saxofonista.

Da experiência do palco à formação musical

A dimensão formativa desse trabalho estará presente na oficina Entre o som e a escuta: experiências de jazz e improvisação, conduzida por Benoît Crauste no dia 27 de outubro, na Escola de Música do Bom Menino das Mercês.

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A atividade propõe um encontro em torno da prática musical, reunindo experiências profissionais, demonstrações e exercícios que exploram a escuta, a improvisação, a expressividade e a construção de uma linguagem própria. O músico também abordará aspectos técnicos da prática instrumental, especialmente a emissão do som, a respiração e a articulação nos instrumentos de sopro, considerando o perfil e as necessidades do público participante.

Mais do que uma abordagem restrita à técnica instrumental, a oficina parte da música como experiência de troca e descoberta. A proposta é estimular a curiosidade, ampliar referências e compartilhar ferramentas que possam contribuir para o desenvolvimento artístico dos participantes.

Ao reunir uma apresentação musical e uma atividade formativa, a programação evidencia duas dimensões complementares da trajetória de Benoît Crauste em São Luís: a criação compartilhada com músicos da cena local e o intercâmbio de experiências com estudantes de música.

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Entre a França, a África, o Brasil e o Maranhão, o Upaon Jazz Quinteto constrói sua identidade a partir do encontro. Uma música que atravessa referências, valoriza a escuta e encontra na liberdade de criação um caminho para continuar se transformando.

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