O salário cai na conta, os boletos vencem, a fatura do cartão chega e, antes mesmo de o mês engrenar, parece que o dinheiro já acabou. São tantas dívidas se acumulando ao mesmo tempo que, entre telefonemas de cobrança, boletos e outras mensagens, fica difícil até saber por onde começar.
✅ Seja o primeiro a ter a notícia. Clique aqui para seguir o novo canal do Cubo no WhatsApp
Se essa descrição bate com a sua realidade, saiba que você não é exceção. Em julho desde ano, 86% das famílias da capital tinham algum tipo de dívida, maior percentual registrado desde junho de 2021, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC). O levantamento foi realizado pela Federação de Bens, Serviços, Comércios e Turismo do Estado do Maranhão (Fecomércio/MA) em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Um ano antes, eram 69,3%. Entre as famílias endividadas, 82% tinham compromissos no cartão de crédito.
Estar endividado, é importante lembrar, não significa necessariamente estar inadimplente: financiamentos e compras parceladas que estão sendo pagos normalmente também entram nessa conta. O sinal mais preocupante aparece quando o orçamento deixa de comportar os compromissos assumidos. Em julho, 28,4% das famílias de São Luís tinham contas em atraso e 4,9% afirmavam não ter condições de quitar seus débitos.
Para quem já chegou a esse ponto, sair tentando pagar qualquer conta que aparecer primeiro nem sempre é a melhor estratégia. Paulo Coimbra, educador financeiro e professor do curso de Administração da Estácio, explica que é preciso conhecer o tamanho do problema, interromper a criação de novas dívidas e estabelecer uma ordem para enfrentar as antigas. Veja abaixo cinco dicas para começar a deixar as contas no azul novamente.
1. Coloque todas as dívidas no papel e olhe para os juros.
Se existem cinco contas esperando pagamento, a maior delas não é necessariamente a que deve vir primeiro. O professor recomenda levantar quanto é devido, a taxa de juros cobrada e as condições de cada dívida.
“Você deve priorizar o pagamento das dívidas que têm os juros mais elevados. Elas não são necessariamente de valor mais alto, mas têm a maior capacidade de corroer o seu poder de compra. Então, coloque no papel todas as dívidas, começando por aquelas que têm os maiores juros”, orienta Paulo. Essa organização ajuda a enxergar quanto aquela dívida efetivamente custa enquanto permanece aberta, uma informação que nem sempre está clara quando você olha apenas para o valor da parcela.
2. Feche as torneiras.
Mapear as dívidas pouco adianta se novas despesas continuam sendo assumidas sem que exista dinheiro para pagá-las. Por isso, o segundo movimento precisa acontecer no orçamento do mês. “Você tem que parar de gastar, tem que fechar todas as torneiras que encontrar”, resume Paulo.
Isso não significa eliminar gastos essenciais, mas sim identificar despesas que podem ser cortadas, reduzidas ou substituídas enquanto o orçamento é reorganizado. O professor chama atenção principalmente para hábitos que, vistos isoladamente, parecem pequenos, mas se repetem ao longo do ano.
“Talvez a maneira como você conduz a sua rotina esteja deteriorando a sua saúde financeira. Comprar em um lugar mais caro, por exemplo, quando isso se repete durante o ano inteiro, pode ser um problema. Você tem que começar a adotar um novo estilo de vida”, explica.
3. O cartão não pode ser extensão do salário
Em São Luís, o cartão de crédito está presente em 82% das famílias endividadas, segundo a PEIC. Entre aquelas com renda de até dez salários mínimos, o percentual chega a 83,7%.Quando a fatura não é paga integralmente, o consumidor pode entrar em uma das modalidades de crédito mais caras disponíveis. Dados do Banco Central de agosto de 2026 apontam taxas de juros anuais que podem ultrapassar 400% ao ano.
O uso do cartão, por si só, não é um problema. A dificuldade é usá-lo para sustentar despesas que se repetem todos os meses sem ter renda suficiente para pagar integralmente a fatura. Paulo recomenda atenção especial a esse comportamento. “Procure não utilizar o cartão de crédito para compras que são despesas mensais. O cartão deve ser usado dentro de uma vida financeira programada, para uma compra que você já planejou e sabe como vai pagar”, orienta.
4. Antes de renegociar, compare quanto você pagará no final.
Para quem já acumulou uma dívida cara, trocar uma modalidade de crédito por outra com custo menor pode fazer sentido. Uma das possibilidades é negociar com o próprio credor ou pesquisar a portabilidade da dívida.
“Você pega a dívida que está com um credor e tenta levá-la para outro com juros mais baixos. Às vezes, vale a pena até mesmo fazer um novo empréstimo com juros menores para pagar de uma vez só o montante inicial”, explica Paulo.
Mas há uma conta que precisa vir antes da assinatura de um novo contrato. “O mais importante nessa hora é pensar no valor total. Quanto estou devendo agora? Quanto vou pagar ao final? Se eu pegar um novo empréstimo com juros menores, quanto vou pagar e quanto posso economizar nessa transação?”, orienta.
A comparação deve considerar o Custo Efetivo Total (CET), que reúne não apenas os juros, mas também tarifas, impostos e outros encargos da operação. Uma prestação mensal menor, sozinha, não significa necessariamente uma dívida mais barata.
5. Mudar a dívida sem mudar os hábitos pode levar você de volta ao mesmo lugar
Conseguir juros menores ou renegociar parcelas resolve uma parte do problema. Mas se o orçamento continuar funcionando da mesma maneira que produziu o endividamento, uma dívida nova logo pode chegar para substituir a antiga.
Por isso, Paulo defende que a reorganização financeira também envolva uma revisão de hábitos. “Utilize a sua inteligência e a maneira como você trabalha para organizar um novo estilo de vida”, recomenda.
O professor também sugere buscar orientação profissional quando a pessoa não consegue organizar sozinha a sua vida financeira. “A renegociação pode aliviar o custo financeiro; a reorganização das despesas é o que ajuda a evitar que o ciclo recomece”, orienta.


Deixe um comentário