Dieta de abelha ameaçada indica plantas-chave para conservação da Mata Atlântica

A relação de mutualismo entre estes insetos e as plantas é, portanto, imprescindível para a preservação das florestas tropicais.

Segundo artigo publicado na sexta-feira (25) nos Anais da Academia Brasileira de Ciências, uma espécie de abelha sem ferrão ameaçada de extinção demonstra preferência por capturar pólen de flora abundante e específica da Mata Atlântica. A relação de mutualismo entre estes insetos e as plantas é, portanto, imprescindível para a preservação das florestas tropicais.

Em estudo realizado em dois períodos de coleta — outubro de 2019 a fevereiro de 2020 e abril de 2021 a março de 2022, com interrupção das atividades durante a pandemia de Covid-19, totalizando 17 meses de amostragem — na Reserva Ecológica de Michelin (REM), no sul da Bahia, as abelhas Melipona scutellaris, nativas da Mata Atlântica, mostraram que, apesar do comportamento generalista de capturar pólen em variadas vegetações, há predominância na dieta pelo tipo Miconia, vegetação abundante na região e que floresce durante todo o ano, um dos gêneros mais comuns da Mata Atlântica.

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Segundo o artigo, as colônias foram distribuídas em quatro pontos em fragmentos florestais dentro da reserva (Mata do Pacangê, Mata Luís Inácio e Mata Pancada Grande, somando cerca de 860 hectares) — a reserva como um todo tem aproximadamente 3.900 hectares. As amostras recolhidas tinham no mínimo 500 grãos de pólen cada. No total foram reconhecidos 61 tipos diferentes de pólen, de 27 famílias de plantas entre arbóreas (42,35%), arbustos (34,12%), lianas (21,15%) e herbáceas (10,59%). O pólen do tipo Miconia teve as maiores frequências (entre 50% e 80%).

Para Brenna Bastos, autora do artigo e pesquisadora da Universidade Estadual de Feira de Santana, onde foram analisadas as amostras, o estudo contribui para melhor entendimento do equilíbrio e preservação  do ecossistema e da relação entre abelhas e plantas. 

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“Esses resultados indicam que algumas espécies vegetais podem desempenhar papel importante na manutenção das colônias ao longo do ano, reforçando a importância da conservação da flora e dos habitats que sustentam as interações entre plantas e abelhas e, consequentemente, dos serviços de polinização na Mata Atlântica’’, afirma.

Para a pesquisadora, analisar o comportamento e a dieta das abelhas – que estão ameaçadas de desaparecimento globalmente – é uma ferramenta poderosa tanto para a preservação da espécie, quanto para o equilíbrio da flora, especialmente em momento de mudanças climáticas. 

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“A conservação das abelhas deve considerar as plantas e os ambientes. Em um contexto de rápidas mudanças ambientais, compreender essas relações pode contribuir para o desenvolvimento de estratégias de conservação mais eficientes e para a manutenção dos serviços ecossistêmicos de polinização”, finaliza.

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