Pesquisadores da Universidade Estadual do Maranhão (Uema) publicaram um estudo que apresenta três mapas históricos inéditos e reconstrói as transformações do Forte São Luís entre 1612 e 2025. Marco da fundação da capital maranhense, a antiga fortificação é analisada desde sua construção pelos franceses e indígenas tupinambás até as sucessivas intervenções urbanas que resultaram em sua atual configuração, incorporada à Avenida Beira-Mar. Leia o artigo na íntegra aqui.
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O artigo “Do Forte à Avenida: transformações da cultura material no marco fundacional de São Luís (1612-2025)” é assinado pelo professor da Uema Érico Peixoto Araujo e pela arquiteta e urbanista Ana Beatriz Pinheiro e Pinho, graduada pela universidade. O trabalho foi publicado nos Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material e tem como um de seus principais resultados a apresentação de três mapas que ajudam a compreender a dimensão e as diferentes configurações assumidas pela fortificação ao longo de mais de quatro séculos.
“O Forte São Luís se tornou um não lugar no cenário urbano atual, e seus elementos passam despercebidos no espaço”, destacam os autores. A pesquisa demonstra como um espaço que exerceu funções militares e teve forte significado histórico e identitário perdeu progressivamente sua presença na paisagem e na memória cotidiana da cidade.
Construído em 1612, o Forte São Luís esteve relacionado à instalação da França Equinocial. Após a tomada da colônia pelos portugueses, em 1615, a fortificação foi mantida para a defesa do território e posteriormente reedificada em pedra e cal. No século XVII, sua localização também esteve relacionada à organização do crescimento urbano da cidade, cuja malha foi estruturada a partir do traçado elaborado pelo engenheiro português Francisco Frias de Mesquita.
Ao longo dos séculos seguintes, entretanto, sucessivas intervenções modificaram a estrutura. O estudo destaca episódios como o desarmamento do Forte, em 1883; a demolição do portão, em 1886; e o seccionamento das muralhas, na década de 1940. Essas transformações acompanharam processos de modernização urbana e contribuíram para que a antiga fortificação perdesse progressivamente sua configuração original.
Para reconstruir essa trajetória, os pesquisadores recorreram a levantamento bibliográfico, documentos históricos, discursos de presidentes da Província e registros produzidos por historiadores e memorialistas. A análise temporal, associada aos três mapas apresentados no artigo, permite visualizar as diferentes fases do Forte e compreender sua relação com as mudanças ocorridas no espaço urbano de São Luís.
Sobre os autores
Érico Peixoto Araujo é professor associado da Uema, graduado em Engenharia Civil pela universidade, mestre em Engenharia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e doutor em Urbanismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É líder do grupo de pesquisa LABHAB+INOVAÇÃO e desenvolve pesquisas relacionadas à historiografia das obras públicas e das cidades, além de estudos envolvendo tecnologias como levantamento por nuvens de pontos e Building Information Modeling (BIM).
Ana Beatriz Pinheiro e Pinho é arquiteta e urbanista graduada pela Uema, onde desenvolve projetos de pesquisa e extensão. Atua profissionalmente nas áreas de Arquitetura e Engenharia Civil.
O artigo foi publicado no volume 34 dos Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material e está disponível para leitura no periódico.


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