Máscara cai: Braide corre para liberar R$ 22 milhões para o Carnaval enquanto hospitais aguardam reformas

O argumento utilizado nos documentos internos foi o de “necessidade pública inadiável”.

Em uma articulação que durou poucas horas na última semana, a Prefeitura de São Luís protagonizou um movimento que expõe o contraste entre o discurso e a prática da gestão do prefeito Eduardo Braide. Enquanto unidades de saúde seguem com obras paralisadas e pacientes enfrentam superlotação, o chefe do Executivo municipal recorreu à Justiça para garantir a liberação de R$ 22,2 milhões para a realização do Carnaval.

O episódio teve início após uma decisão do desembargador Jorge Rachid Mubárack Maluf, que autorizou a abertura de créditos suplementares apenas para despesas classificadas como essenciais. Entre os valores liberados estavam R$ 12,6 milhões para a reforma do Hospital da Cidade, R$ 2,9 milhões para a Clínica da Família Nazaré Neiva, R$ 2,3 milhões para a construção da UBS Ribeira e R$ 1,3 milhão para insumos hospitalares.

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Apesar da permissão judicial, a prefeitura não executou os investimentos autorizados. Tampouco quitou as emendas destinadas ao Hospital Aldina Ababel, unidade que enfrenta problemas estruturais e déficit no atendimento à população.

No entanto, a movimentação nos bastidores do Palácio de La Ravardière foi célere quando o assunto foi a folia. Dentro da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), o titular da pasta, Simão Cirineu, defendeu a necessidade de acionar a Procuradoria Geral do Município para garantir os recursos para o evento. O argumento utilizado nos documentos internos foi o de “necessidade pública inadiável”.

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A ação mais concreta ocorreu em um intervalo de cinco horas. Às 13h16, foi aberto o processo para a suplementação de R$ 22.260.065,50 destinados à estrutura do Carnaval. Às 18h40 do mesmo dia, a prefeitura protocolou uma nova petição ao desembargador alegando “fato superveniente relevante” (no caso, a proximidade da data festiva) para justificar novas providências judiciais.

Enquanto isso, a capital maranhense acumula queixas da população sobre a precariedade na saúde. Hospitais operam no limite da capacidade, reformas estão paradas e o atendimento à população mais vulnerável segue comprometido.

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A disparidade entre o empenho da gestão para bancar a festa e a inércia diante das urgências da saúde escancara, segundo críticos, o verdadeiro norte da administração municipal. As negociações com a Câmara de Vereadores, vistas por muito tempo como embates políticos em defesa da população, agora são interpretadas por parte da opinião pública como disputas pela destinação de recursos, não para serviços essenciais, mas para o Carnaval.

Para quem acompanha o dia a dia da cidade, a mensagem foi clara: enquanto a saúde agoniza, o poder público corre contra o relógio para garantir trio elétrico, iluminação e atrações.

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