Documentos apresentados à Justiça americana pelo influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo revelam um contrato de trabalho até então oculto com a rede social Gettr, plataforma lançada por um ex-conselheiro de Donald Trump e, à época, controlada pelo magnata chinês Miles Guo, condenado por crimes financeiros nos Estados Unidos.
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As informações vieram à tona após a empresa de Figueiredo, a International Treasure Group (ITG), ser acionada para devolver cerca de R$ 760 mil recebidos de uma empresa de fachada de Guo, em um processo de falência que busca recuperar recursos desviados de um esquema de fraude de US$ 1 bilhão.
Neto do último presidente da ditadura militar, Figueiredo responde no Brasil a uma denúncia da Procuradoria-Geral da República por integrar o núcleo de desinformação da trama golpista. Nos EUA, apresentou os comprovantes de sua relação com a Gettr para justificar o recebimento dos valores, que o processo americano qualifica como “transferência fraudulenta”.
A assessoria prestada ocorreu entre agosto de 2021 e abril de 2022, período crucial do lançamento e expansão da Gettr no Brasil. A plataforma, que abrigou perfis de bolsonaristas bloqueados pelo Supremo Tribunal Federal e espalhou desinformação sobre as urnas, promoveu oficialmente em seu perfil a candidatura à reeleição de Jair Bolsonaro.
Contrato e serviços prestados
Os nove documentos anexados à ação judicial detalham a atuação da empresa de Figueiredo. O contrato incluía análise de riscos jurídicos e políticos, planejamento de estratégia de mídia, contato com influenciadores e veículos de comunicação, além de suporte ao desenvolvimento de negócios.
Relatórios semanais eram enviados à Gettr. Em um deles, de 4 de dezembro de 2021, Figueiredo sugere que a plataforma financiasse uma pesquisa presidencial com instituto renomado. O documento registra que Jason Miller, então CEO da Gettr, não gostaria de publicar resultados desfavoráveis a Bolsonaro naquele momento.
Outro anexo lista eventos bolsonaristas sugeridos para patrocínio, como o “Brasil Profundo”, promovido pelo think tank do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, e um congresso do deputado Carlos Jordy (PL-RJ). O documento também cita a negociação de um patrocínio de R$ 20 mil para um congresso médico mundial, em meio à pandemia de Covid-19, período em que a Gettr disseminou desinformação sobre o tratamento precoce.
Sentença e justificativas
Após tentativas frustradas de notificação, a Justiça americana decretou sentença à revelia contra a empresa de Figueiredo em outubro de 2025, condenando-a a devolver os US$ 140 mil com juros. Só em dezembro, o influenciador apresentou defesa e pediu a anulação da decisão, alegando dificuldades financeiras e problemas com a entrega de correspondências.
Em seu depoimento, Figueiredo afirmou que as “mudanças políticas no Brasil” e a redução nas oportunidades de consultoria prejudicaram seus negócios. Ele também citou viagens frequentes a Washington, realizadas em parceria com Eduardo Bolsonaro, para articular sanções contra o Brasil no governo Trump. Essas viagens renderam aos dois uma denúncia da PGR por coação no curso do processo.
A defesa do influenciador sustenta que todos os pagamentos recebidos da Gettr foram por “serviços legítimos de consultoria” e que não havia conhecimento de qualquer esquema fraudulento. Uma audiência para revisar a sentença está marcada para 27 de janeiro.
A reportagem tentou contato com Paulo Figueiredo, mas não obteve resposta. A Gettr, assim como Jason Miller, também não se manifestou sobre o caso.
Com informações do ICL Notícias.


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