MEMÓRIA, ANCESTRALIDADE E RESISTÊNCIA: CASA FANTI-ASHANTI LANÇA AUTOBIOGRAFIA DE MÃE KABECA DE XANGÔ 

A obra “Meu tempo, minha história” será lançada em 17 de outubro, em São Luís, e registra a trajetória de uma das principais lideranças das religiões de matriz africana no Maranhão 

As memórias, os saberes e a trajetória de uma das principais lideranças das religiões de matriz africana no Maranhão serão celebrados em livro. No dia 17 de outubro de 2026, às 19h, a Casa Fanti-Ashanti, em São Luís, realiza o lançamento de “Meu tempo, minha história”, autobiografia de Izabel Mesquita dos Santos, conhecida como Mãe Kabeca de Xangô, Yalaxé da tradicional casa religiosa. A obra estará disponível para venda durante o evento, em tiragem limitada. 

Mais do que uma autobiografia, “Meu tempo, minha história” constitui um registro de memória, ancestralidade e resistência. Ao narrar sua própria trajetória, Mãe Kabeca também recupera passagens da história da Casa Fanti-Ashanti e compartilha experiências relacionadas ao desenvolvimento do Tambor de Mina e do Candomblé no Maranhão. 

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A publicação é resultado de um projeto selecionado, em 2024, pelo Edital Mãe Gilda de Ogum, promovido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por intermédio da Gerência Regional de Brasília (Gereb/Fiocruz Brasília), em parceria com o Ministério da Igualdade Racial (MIR) e a Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (Fiotec). 

Uma vida entrelaçada à história da Casa Fanti-Ashanti – Nascida na localidade de Limoeiro, na zona rural de São Luís, Mãe Kabeca começou a manifestar seus dons espirituais aos seis anos de idade. Em 1960, seus pais procuraram Pai Euclides Talabyan, fundador da Casa Fanti-Ashanti, dando início a uma ligação que marcaria a sua vida. Desde então, ela passou a crescer e a aprender no cotidiano do terreiro, onde teve contato com os rituais, os conhecimentos e as tradições que sustentam a comunidade religiosa. 

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Aos 12 anos, começou a ser preparada por Pai Euclides para assumir a missão de dar continuidade ao legado da Casa. Em 2015, após o falecimento de seu fundador, assumiu a liderança do terreiro, tornando-se responsável pela preservação e transmissão de seus fundamentos religiosos e culturais. 

Com mais de cinco décadas de vivência nas tradições de matriz africana, Mãe Kabeca é testemunha e personagem de diferentes momentos da história do Tambor de Mina e do Candomblé no Maranhão.  

As lideranças religiosas são guardiões de conhecimentos transmitidos entre gerações, constituindo verdadeiras bibliotecas vivas. Nesse contexto, “Meu tempo, minha história” contribui para ampliar as formas de preservação e circulação desses saberes. 

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Sem substituir a oralidade, que permanece central na transmissão dos conhecimentos tradicionais, o registro escrito possibilita que experiências, ensinamentos e acontecimentos atravessem gerações e alcancem novos públicos. A iniciativa também dá continuidade ao legado de Pai Euclides Talabyan, que dedicou parte de sua trajetória à produção de livros e discos voltados à cultura e à religiosidade de matriz africana. 

Lançamento integra programação de enfrentamento ao racismo religioso e à violência contra a mulher – O lançamento da autobiografia integra a programação do Seminário Tecendo Redes de Enfrentamento à Violência contra a Mulher e ao Racismo Religioso, que será realizado no dia 17 de outubro, das 8h30 às 16h, na Casa Fanti-Ashanti. 

A atividade faz parte do projeto “Àyó: Alegria Gerada Pelo Afeto”, coordenado pela Casa Fanti-Ashanti em parceria com as comunidades quilombolas de Santana e Juçatuba, localizadas em São José de Ribamar (MA), com apoio da Cese Direitos. 

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O seminário tem como objetivo fortalecer a conscientização, o diálogo e a articulação de estratégias de enfrentamento ao racismo religioso, à violência contra a mulher e ao feminicídio. A programação reunirá lideranças religiosas e representantes de diferentes políticas públicas em painéis sobre espaços de acolhimento e enfrentamento à violência contra a mulher e ao feminicídio; respostas do Estado aos casos de racismo religioso; e estratégias de enfrentamento a essas violações a partir dos terreiros. 

Após o lançamento do livro, a programação cultural contará com apresentações de grupos de tambor de crioula, celebrando a riqueza das expressões culturais afro-maranhenses. 

Sobre a Casa Fanti-Ashanti – A Tenda São Jorge Jardim de Oeira, conhecida como Casa Fanti-Ashanti, é um tradicional terreiro de Tambor de Mina e Candomblé, localizado em São Luís, no Maranhão. Fundada em 1954 por Euclides Menezes Ferreira, o Pai Euclides Talabyan, sua trajetória está ligada à tradição afro-maranhense e à herança do antigo Terreiro do Egito (Ilê-Nyame), fundado em 1864 por Massinokou Alapong, africana oriunda da região de Kumasi, atual República de Gana. 

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A Casa Fanti-Ashanti dedica-se ao culto de voduns, orixás, bonsus, nkisis, encantados, caboclos e outras entidades que integram o universo religioso das tradições afro-brasileiras. Em 1980, o Candomblé passou a integrar oficialmente seus ritos, após a iniciação de Pai Euclides sob a orientação de Mãe Maria das Dores (in memoriam), Manoel Papai e Pai Raminho de Oxóssi (in memoriam), no Ilê Axé Obá Ogunté, tradicionalmente conhecido como Sítio Pai Adão, em Recife (PE). Essa ligação permanece até hoje. 

Ao longo de sua trajetória, a Casa Fanti-Ashanti consolidou-se como espaço de preservação da ancestralidade, transmissão de saberes e valorização das tradições religiosas e culturais afro-brasileiras, contribuindo para a salvaguarda do patrimônio cultural e religioso do Maranhão. 

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