Filha de sobreviventes do Holocausto diz que nazismo foi naturalizado

Clara vê o neonazismo como uma tentativa de apagar da memória coletiva as atrocidades cometidas pelo regime nazista.

Nesta segunda-feira (27), o mundo relembra os 80 anos da libertação do campo de extermínio de Auschwitz, na Polônia, pelas tropas soviéticas durante a Segunda Guerra Mundial. A data, que marca um dos capítulos mais sombrios da história da humanidade, serve também como alerta para o ressurgimento de ideologias nazistas e antissemitas em pleno século XXI. Clara Levin Ant, filha de judeus poloneses sobreviventes do Holocausto e atual assessora especial da Presidência da República, chama a atenção para o crescimento de núcleos neonazistas no Brasil e no mundo, destacando que o nazismo e o antissemitismo são crimes no país e precisam ser combatidos com rigor.

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“O maior drama que nós estamos vivendo é que o nazismo foi naturalizado”, afirma Clara, que ressalta a importância de reforçar a legislação brasileira que criminaliza o uso de símbolos e gestos nazistas, além do antissemitismo. “Não dá para ignorar, não dá para fingir que a lei não existe”, diz ela, enfatizando a necessidade de conscientização e punição para quem propaga essas ideologias.

Clara vê o neonazismo como uma tentativa de apagar da memória coletiva as atrocidades cometidas pelo regime nazista. “Estamos em um momento em que parte da política e da humanidade é destrutiva, predadora da cultura, do pensamento e da humanidade no seu significado mais pleno”, alerta. Ela cita como exemplo o gesto feito pelo bilionário sul-africano Elon Musk, que, após a posse do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, em 2017, bateu no peito e estendeu o braço de forma semelhante à saudação nazista. Para Clara, o ato foi uma clara referência ao nazismo, reforçando a desinformação cultivada por grupos de extrema-direita.

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A assessora especial da Presidência da República também destaca a importância de combater a desinformação sobre o Holocausto e o antissemitismo. Ela compara o resgate da história do povo africano no Brasil, graças a leis como o Estatuto da Igualdade Racial e as cotas raciais, com a necessidade de ampliar o conhecimento sobre os crimes nazistas. “A desinformação que existia sobre a escravidão hoje tem uma barreira no conhecimento. A mesma coisa tem que ser feita em relação ao neonazismo e ao antissemitismo”, defende.

Clara Levin Ant reforça que as atitudes neonazistas não podem ser ignoradas ou minimizadas. “A gente não pode deixar passar pano nos recados como daquele período [a Segunda Guerra Mundial]. Todos os dias, temos que estar alertas pela democracia, porque a preservação dela é a melhor maneira de impedir que o racismo, o nazismo e o antissemitismo venham a vingar em algum país”, afirma.

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Além disso, ela defende um trabalho contínuo de conscientização para combater a intolerância religiosa que persegue judeus no Brasil. “Precisamos estar atentos e agir para que a história não se repita”, conclui Clara, em um alerta que ressoa não apenas no Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, mas todos os dias do ano.

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