É praticamente certo que 2024 será o ano mais quente já registrado, informou nesta quinta-feira (7) o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S) da União Europeia. O alerta chega pouco antes da Conferência do Clima das Nações Unidas (COP29), que ocorrerá na próxima semana no Azerbaijão. Nessa cúpula, espera-se que líderes mundiais discutam um aumento significativo no financiamento para enfrentar a crise climática. A recente vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, no entanto, tem reduzido as expectativas quanto à adoção de novos compromissos climáticos.
De acordo com o C3S, a temperatura média global de janeiro a outubro foi suficiente para tornar 2024 o ano mais quente já registrado, a menos que ocorra uma queda inesperada nos níveis de temperatura nos últimos meses do ano. O diretor do C3S, Carlo Buontempo, afirmou que o aquecimento global está em uma trajetória que torna inevitável o aumento dos recordes de calor. “O clima está esquentando, de modo geral. Está esquentando em todos os continentes, em todas as bacias oceânicas”, disse Buontempo em entrevista à Reuters.
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Outro marco destacado pelos cientistas é que, em 2024, o planeta ultrapassará pela primeira vez o aumento de 1,5°C em relação ao período pré-industrial (1850-1900). As emissões de dióxido de carbono (CO₂) oriundas da queima de combustíveis fósseis – carvão, petróleo e gás – são apontadas como as principais responsáveis por esse aquecimento.
A cientista climática Sonia Seneviratne, da Universidade ETH Zurich, ressaltou a necessidade urgente de ações mais rigorosas para frear o uso de combustíveis fósseis, instando os governos presentes na COP29 a adotarem medidas mais enérgicas. Segundo ela, “os limites estabelecidos no Acordo de Paris estão começando a desmoronar devido ao ritmo muito lento das ações climáticas em todo o mundo”.
A meta de limitar o aumento da temperatura a 1,5°C foi estabelecida no Acordo de Paris de 2015, com o objetivo de evitar consequências climáticas catastróficas. Embora o mundo ainda não tenha ultrapassado essa meta em termos de média global ao longo das décadas, o Copernicus prevê que esse limite pode ser excedido já por volta de 2030.
Os dados do C3S, que são datados de 1940 e ajustados com registros de temperatura anteriores a 1850, reforçam a urgência de ação imediata e coordenada para mitigar o impacto das mudanças climáticas. A comunidade científica e ambiental alerta que, sem um compromisso forte e global na COP29, o cenário de aquecimento tende a piorar.
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