Em celebração ao Ano Cultural Brasil–China 2026, o 4º Festival Interativo de Música e Arquitetura – FIMA fará um mergulho na cultura chinesa, a partir do tema “A China entre nós: uma viagem musical pela história, arte decorativa, arquitetura e criatividade no Brasil colonial”, propondo uma viagem histórica e musical pelo país. O festival une música, arquitetura e história em concertos gratuitos com grandes músicos ou grupos orquestrais, acompanhados por comentários e vídeos, que dialogam com o repertório musical, permitindo que o público construa uma conexão afetiva com os temas celebrados em cada edição.
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A programação desta etapa passará por São Luís, no Teatro Arthur Azevedo, dia 29 de outubro de 2026, às 20h; por Belo Horizonte, na Sala Juvenal Dias do Palácio das Artes, no dia 1º de novembro de 2026, às 17h; e por Brasília, na Casa do Professor, na UNB, no dia 3 de novembro de 2026, às 19h.
Os concertos serão conduzidos pelos músicos Laura Ronai, com flauta transversal barroca; Daniel Guedes com violino; João Guilherme Figueiredo de Miranda, com violoncelo barroco; e Bruno Procopio, com cravo e que também assina a direção musical. Completam o grupo a soprano Yu Xi e a mezzo-soprano Carolina Faria.
O espetáculo aproxima música e patrimônio para explorar as influências da China e suas representações no Brasil colonial através de obras do período colonial brasileiro, de peças do barroco europeu e de canções chinesas. O concerto convida o público a descobrir os encontros culturais que deixaram marcas na arquitetura, nas artes e no imaginário do país. Uma experiência de escuta e descoberta que percorre o universo de imagens e sons que conectou Brasil e Europa com a China entre os séculos XVII e XIX.
A apresentação abre e fecha com “Chinoiserie I” e “Chinoiserie II”, duas obras inéditas encomendadas pelo FIMA a André Mehmari especialmente para esta edição. Organizado em três atos e um epílogo, o repertório percorre os “Minuetos de Lisboa”, do português Pedro António Avondano, e melodias da corte chinesa recolhidas e transcritas pelo jesuíta Joseph-Marie Amiot. Inclui ainda uma sonata de Teodorico Pedrini, trechos da “Missa em Dó”, de André da Silva Gomes, e “O menino pastor vagueando pelos montes”, com texto atribuído a Matteo Ricci.
O diálogo entre culturas ganha outra expressão em “Là, sui monti dell’Est”, da ópera “Turandot”, de Puccini, que incorpora a melodia tradicional chinesa “Flor de Jasmim”. Completam o percurso a cantata anônima “Herói, egrégio, douto, peregrino”, composta na Bahia em 1759, e quatro peças vocais de Sigismund von Neukomm escritas no Rio de Janeiro em 1821.
No epílogo, trechos da “Wassermusik”, de Telemann, e da “Water Music”, de Händel, evocam as águas e estabelecem uma ponte entre as antigas rotas de navegação e os desafios ambientais contemporâneos. Na sequência, “Chinoiserie II” encerra o concerto com uma fantasia musical inspirada na viagem de Marco Polo pela Rota da Seda.
“Neste módulo especial, queremos evidenciar como as trocas entre Brasil e China atravessam diferentes períodos e se manifestam em nosso patrimônio cultural, ampliando o olhar sobre as conexões que formam a identidade brasileira. O repertório dos concertos traduz essa conexão, revelando aproximações musicais entre as duas culturas e as marcas que esses encontros deixaram na nossa história”, afirma Pablo Castellar, coordenador-geral e diretor artístico do FIMA.

Concerto terá imagens exclusivas que mostram a influência chinesa na nossa cultura
Para esta edição do FIMA, uma equipe de vídeo do festival registrou imagens de prédios históricos e obras de arte em Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro, que serão apresentadas durante o concerto destacando as chamadas “chinesices”: elementos estéticos chineses que chegaram ao Brasil no período colonial e que foram reinterpretados por artistas locais, passando a integrar o patrimônio artístico brasileiro.
“Queremos que o público não apenas ouça essa história, mas também a enxergue. As chinesices estão espalhadas por igrejas e acervos de Minas, São Paulo, Bahia e Rio, muitas vezes diante dos nossos olhos sem que a gente perceba de onde vieram. Com as imagens e comentários, conseguimos mostrar, para além da música, como a China chegou ao Brasil colonial e foi transformada pelas mãos dos nossos artistas até se tornar parte do nosso próprio patrimônio”, acrescenta Pablo.
O telão estará posicionado no espaço do concerto, apresentando as imagens junto com a execução do programa. Vídeos de especialistas, como a historiadora Kamila Czepula, o historiador e filósofo André Bueno, o historiador e escritor Julio Bandeira e o arquiteto paisagista Raul Pereira também estarão intercalados com as músicas, mostrando curiosidades sobre a história e arquitetura chinesas.
O Festival ainda prestará homenagem ao arquiteto e paisagista chinês Kongjian Yu. Falecido em 2025, seu trabalho é reconhecido por defender um planejamento urbano mais sustentável e o conceito das “cidades-esponja”, que propõe que a cidade funcione como uma esponja natural.

Ações educativas também integram a programação do Festival
Além das apresentações musicais, o projeto FIMA na Escola promoverá, em São Luís, uma ação formativa para professores da rede pública municipal. Em parceria com a Fundação Municipal de Patrimônio Histórico (FUMPH) e a Secretaria Municipal de Educação (SEMED), os professores poderão se inscrever para assistir o concerto e ganhar uma aula virtual e um Guia Metodológico, com conteúdos e propostas de atividades para desenvolver com os estudantes.
Os trabalhos produzidos pelos alunos poderão integrar uma exposição virtual do FIMA, ampliando o diálogo entre educação, arte e patrimônio cultural.
A iniciativa busca despertar nos estudantes o sentimento de pertencimento e valorização do patrimônio cultural, aproximando-os da história e das identidades locais.
Ainda na área educativa, o FIMA Aulas Magnas irá oferecer Masterclasses para estudantes de orquestras sociais do Rio de Janeiro, ministradas por artistas do festival.
A programação também estará disponível na plataforma digital do festival. Entre os conteúdos oferecidos pelo FIMA, estão os concertos filmados em alta definição (FIMA Concertos Virtuais), a websérie Obras em Nota que explora a relação entre repertório e arquitetura, além do podcast Diálogos FIMA, que reúne conversas sobre o patrimônio material e imaterial, com a participação de músicos, palestrantes e convidados especiais.
O FIMA conta com patrocínio da State Grid Brazil Holding, por meio da Lei Rouanet – Lei Federal de Incentivo à Cultura e realização de Artemundi Produções Culturais, Ministério da Cultura e Governo Federal – Do Lado do Povo Brasileiro.
ARTISTAS:
Laura Ronai — flauta transversal barroca
Daniel Guedes — violino
João Guilherme Figueiredo de Miranda — violoncelo barroco
Bruno Procopio — cravo e direção musical
Carolina Faria – mezzo-soprano
Yu Xi – soprano
SERVIÇO
4º Festival Interativo de Música e Arquitetura – FIMA
Grátis. Livre.
FIMA – São Luís
Data: 29 de outubro de 2026, quinta-feira
Local: Teatro Arthur Azevedo – Praça Dom Pedro II, s/nº – Centro Histórico, São Luís, MA
Horário: 20h
FIMA – Belo Horizonte
Data: 01 de novembro de 2026, domingo
Local: Sala Juvenal Dias (Palácio das Artes) – Avenida Afonso Pena, nº 1.537 – Centro, Belo Horizonte, MG
Horário: 17h
FIMA – Brasília – DF
Data: 03 de novembro de 2026, terça-feira
Local: Casa do Professor – Campus Universitário Darcy Ribeiro, UnB, Brasília – DF
Horário: 19h
PROGRAMA
ATO I · Barroco Mineiro
ANDRÉ MEHMARI (1977–)
Chinoiserie I (2026)
PEDRO ANTÓNIO AVONDANO (1714–1782)
Lisbon Minuets, para dois violinos e baixo
Minuet X; Minuet VI; Minuet II.
MÚSICA DA CORTE QING (1636–1912)
Divertissements chinois ou Concerts de musique chinoise
Segundo caderno: Huāyīn yuèjìng yīnyuè pǔ 花陰月靜音樂譜
(À sombra das flores sob a lua silenciosa)
Recolhidos e transcritos por Joseph-Marie Amiot (1718–1793), Pequim, 1753.
Arranjos: André Ribeiro (2026)
Yàn guò shēng 雁過聲 — Ganso Passa pela Melodia;
Shānpō yáng 山坡羊 — Encosta Montanhosa.
ATO II · China, jesuítas e São Paulo
TEODORICO PEDRINI (1671–1746)
Sonata para violino e baixo contínuo em Dó maior, Op. 3, n.º 7
I. Largo — II. Allegro.
ANDRÉ DA SILVA GOMES (1752–1844)
Missa em Dó (São Paulo, c. 1810)
Laudamus (Gracioso) — soprano;
Domine Deus (Afetuoso) — soprano e mezzo-soprano.
MOZI (墨子)
Texto atribuído a MATTEO RICCI (1552–1610)
Mùtóng yóu shān 牧童遊山 — O menino pastor vagueando pelos montes
Arranjo: John Thompson e Nelson Lin
GIACOMO PUCCINI (1858–1924)
Turandot, Ato I: «Là, sui monti dell’Est»
(Baseado na melodia tradicional chinesa Mòlihuā 茉莉花 — Flor de Jasmim)
Arranjo: Nelson Lin
ATO III · Bahia e Rio de Janeiro
ANÔNIMO DA BAHIA (1759)
Herói, egrégio, douto, peregrino — Cantata acadêmica
Recitativo e Ária: Andante comodo.
SIGISMUND VON NEUKOMM (1778–1858) — RIO DE JANEIRO (1821)
A Emilia — Canone a tre voci (Andantino)
Invocazione a Cinzia — Duettino (Allegretto)
Preghiera di Carlota (Andante)
Addio! — a tre voci (Andante)
EPÍLOGO · Água, energia, passado e futuro
GEORG PHILIPP TELEMANN (1681–1767)
Hamburger Ebbe und Flut (Wassermusik), TWV 55 (1723)
Sarabande — Die schlafende Thetis;
Bourrée — Die erwachende Thetis;
Canarie — Die lustigen Bootsleute.
GEORG FRIEDRICH HÄNDEL (1685–1759)
Water Music — Suite n.º 3 em Sol maior, HWV 350
Rigaudon I & II; Gigue I & II.
ANDRÉ MEHMARI (1977–)
Chinoiserie II (2026)
FICHA TÉCNICA:
Coordenador geral e direção artística: Pablo Castellar
Coordenação de produção: Branca Ohana
Coordenadora administrativa financeira e jurídica: Ellen Gaspar
Edição de imagem: Vitor Souza Lima
Programação visual: Dani Pascoaleto
Assessoria de imprensa: Prisma Colab
SOBRE O FIMA
O FIMA – Festival Interativo de Música e Arquitetura é um festival itinerante, gratuito e de abrangência nacional que aproxima o público do patrimônio cultural brasileiro por meio do encontro entre música, arquitetura e história. Sua proposta é oferecer uma experiência imersiva e multissensorial, despertando novos olhares sobre os lugares de memória e fortalecendo o sentimento de pertencimento e os vínculos afetivos das comunidades com seus patrimônios.
Em cada edição, o repertório estabelece relações com a arquitetura, a arte decorativa e a história dos espaços abordados. As interpretações musicais se intercalam com comentários de arquitetos, historiadores e especialistas, convidando o público a perceber conexões entre o que vê e o que ouve. A experiência combina apreciação musical e descoberta do patrimônio, revelando histórias e referências culturais presentes em igrejas, palácios e teatros brasileiros.
Criado originalmente para integrar o calendário do Rio Capital Mundial da Arquitetura da UNESCO, o FIMA ampliou sua atuação para diferentes estados do país. Em sua quarta edição, dedicada ao Brasil colonial, o festival já passou pelo Rio Grande do Sul e agora apresenta uma etapa especial voltada às influências da China na formação cultural brasileira, com músicos brasileiros e chineses, projeções audiovisuais e uma narrativa que conecta repertórios musicais às marcas desses encontros na arte e na arquitetura.
A atuação do festival se estende às escolas, com ações de educação patrimonial e sensibilização à música de concerto. No ambiente digital, o FIMA amplia o acesso à sua proposta com conteúdos gratuitos, incluindo concertos em alta definição, a websérie “Obras em Nota” e o podcast “Diálogos FIMA”, permitindo que o público conheça os espaços e suas histórias para além das apresentações presenciais.


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