Engajamento de Nikolas cresce 514% e de Janones 272% na disputa digital do segundo turno, aponta pesquisa

Nikolas somou 50,7 milhões de interações entre as lideranças políticas com identidade evangélica monitoradas, ocupando a primeira posição no ranking total.

O engajamento de Nikolas Ferreira (PL-MG) cresceu pouco mais de 514% e o de André Janones (Rede-MG), quase 272%, na comparação entre os períodos monitorados antes e depois do primeiro turno das eleições. O resultado evidencia como a guerra digital se tornou parte da estratégia eleitoral, com os dois deputados atuando na mobilização online em torno de Flávio Bolsonaro e Lula. A disputa entre os canais de WhatsApp “Tropa do Flávio” e “Exército do Lula” é uma das expressões desse confronto nas redes.

Os dados integram a décima edição do relatório “Narrativas Evangélicas e Contexto Eleitoral”, produzido pela Casa Galileia em parceria com o Instituto Democracia em Xeque (DX), a partir de publicações realizadas entre 28 de setembro e 11 de outubro de 2026. O estudo mostra como a passagem para o segundo turno intensificou a comunicação eleitoral de lideranças políticas, religiosas e influenciadores evangélicos, com discursos que vão além de pautas explicitamente religiosas.

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Nikolas somou 50,7 milhões de interações entre as lideranças políticas com identidade evangélica monitoradas, ocupando a primeira posição no ranking total. André Janones aparece em quarto lugar, com 23 milhões, atrás também de Pablo Marçal e Flávio Bolsonaro. Na base específica de perfis da esquerda evangélica, Janones concentrou 45,8% das 50,2 milhões de interações registradas. Os números medem interações com publicações, não intenção de voto.

O monitoramento identifica uma mudança de ênfase: lideranças com identidade evangélica mobilizam audiências em torno de bandeiras como antipetismo, antibolsonarismo, democracia e direitos sociais. Diferente da atuação dessas lideranças em outros pleitos eleitorais, identificou-se a mobilização de narrativas religiosas em menor intensidade no início da campanha ao segundo turno de 2026.

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O segundo turno também ampliou as declarações públicas de voto de pastores, pastoras e artistas gospel. Entre os apoiadores de Lula, Antônio Carlos Costa justificou seu voto apesar de críticas ao PT, enquanto Ed René Kivitz relacionou a escolha eleitoral a argumentos éticos e religiosos. No campo de Flávio Bolsonaro, Talitha Pereira, Teo Hayashi, Cláudio Duarte e Fabiola Melo aparecem em publicações de apoio ou rejeição ao PT.

Entre os artistas gospel, Samuel Messias, Isaias Saad, Luma Elpídio e Victin manifestaram apoio a candidaturas ao Legislativo e a Flávio Bolsonaro. Luma recorreu a uma passagem bíblica para defender o posicionamento da igreja diante de injustiças, enquanto Victin incentivou outros artistas a se manifestarem sobre as eleições, que descreveu como uma “guerra de ideologias”.

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Montagens contra Ana Elisa alimentam ataques e denúncias de ameaças

A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) foi alvo de ataques nas redes após a circulação de publicações atribuídas a ela sobre igrejas e evangélicos. Nikolas Ferreira divulgou uma suposta postagem antiga em que a parlamentar defenderia o fechamento de igrejas. Ana Elisa afirmou que a imagem era uma montagem e pediu desculpas por outras publicações que reconheceu ter feito sobre o assunto.

Outra imagem enganosa, divulgada pelo perfil Assembleianos de Valor Oficial, atribuía à deputada uma defesa de violência contra evangélicos. O relatório registra ataques dirigidos à parlamentar e denúncias de ameaças contra ela. Benedita da Silva, Eliziane Gama e André Janones se manifestaram em sua defesa.

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Racismo religioso aparece em narrativas de batalha espiritual

O relatório identifica publicações de influenciadores evangélicos alinhados à direita que associam ritos e símbolos de religiões afro-brasileiras a supostas ameaças espirituais contra Flávio Bolsonaro. Conteúdos apresentados sob a expressão “macumba contra Flávio” enquadram a eleição como uma batalha espiritual e convocam seguidores cristãos à oração e à mobilização política.

Em um dos exemplos, o influenciador Roberto Ruiz afirma que a esquerda estaria mobilizando sacrifícios e que a eleição seria vencida no mundo espiritual. Outros perfis exploram imagens de rituais religiosos e manifestações de lideranças de religiões de matriz africana. A pesquisa aponta que essa associação demoniza tradições religiosas e contribui para discursos de intolerância. Esses episódios constam da seção “Fique de olho”, dedicada a temas de relevância narrativa que não seguem necessariamente o mesmo critério de engajamento do ranking principal.

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Nikolas se torna símbolo das comemorações da direita nas redes

A expressão “piá de bosta”, utilizada por Janja para se referir a Nikolas Ferreira, foi apropriada por apoiadores do deputado após o primeiro turno. Memes, vídeos e músicas produzidas com inteligência artificial transformaram a expressão em linguagem de celebração e provocação aos adversários.

Nas publicações examinadas sobre essas comemorações, Nikolas aparece como referência mais visível do que o próprio candidato Flávio Bolsonaro, indicando seu papel simbólico nesse repertório específico da direita digital.

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Apoio na Assembleia de Deus de Madureira reforça articulação em torno de Flávio

Durante as comemorações do centenário da Assembleia de Deus de Madureira, no Maracanãzinho, Flávio Bolsonaro recebeu manifestações públicas de apoio. O bispo Samuel Ferreira afirmou “irmão vota em irmão” e disse que pediria votos ao candidato se pudesse. A presença de lideranças religiosas e políticas no evento evidencia a utilização de espaços e vínculos religiosos na legitimação pública de candidaturas.

O episódio também provocou reações críticas de integrantes da esquerda evangélica. O pastor Fillipe Gibran, por exemplo, classificou a participação de Flávio e a manifestação do bispo como um “espetáculo de ilusionismo religioso”.

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Suspeitas sem provas sobre as urnas alimentam narrativa de fraude

O influenciador Ricardo Brasil insinuou que supostas irregularidades na apuração do primeiro turno teriam impedido uma vitória de Flávio Bolsonaro. A publicação questiona uma explicação técnica atribuída à Justiça Eleitoral e recorre a alegações de fraude em eleições de outros países, sem apresentar evidências que comprovem a hipótese.

Segundo a análise, a estratégia consiste em lançar dúvidas sobre a legitimidade do resultado sem assumir integralmente uma acusação verificável. O estudo trata o episódio como narrativa de desinformação, não como indício de fraude eleitoral.

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Monitoramento quinzenal

O estudo acompanha publicações de lideranças religiosas e políticas, organizações, veículos e influenciadores evangélicos no Instagram, YouTube, X, TikTok e Facebook. Combina análise qualitativa de postagens de maior engajamento com buscas complementares no Data Lake do Instituto Democracia em Xeque. Os resultados descrevem narrativas observadas no universo monitorado e não constituem pesquisa de intenção de voto.

A série quinzenal acompanha desde maio as narrativas e disputas políticas no ecossistema evangélico nas eleições de 2026.

Acesse os relatórios: https://casagalileia.org/categoria/cgdx/

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Sobre a Casa Galileia

A Casa Galileia é uma organização da sociedade civil criada em 2021 que atua, por meio de campanhas e comunicação estratégica, para engajar cristãs e cristãos no fortalecimento da democracia e na promoção da justiça climática. Laica e sem vínculo com igrejas, partidos ou candidaturas, atua em quatro frentes complementares: campanhas, consultorias, construção de movimentos e monitoramento e análise qualitativa de narrativas do campo cristão. Saiba mais em: https://casagalileia.org/

Sobre o Instituto Democracia em Xeque

O Instituto Democracia em Xeque (DX) é um instituto de pesquisa independente voltado ao fortalecimento do Estado Democrático de Direito. Sua atuação busca fomentar a integridade da informação por meio do acompanhamento permanente do debate político digital, de campanhas de desinformação e de violações de direitos humanos, além do desenvolvimento de pesquisa, tecnologia e inovação em defesa da democracia. Saiba mais em: https://institutodx.org/

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