Um grupo de entidades da sociedade civil do Maranhão divulgou uma carta aberta na qual exige que o candidato Flávio Bolsonaro altere o local de um ato político previsto para o Centro de São Luís. O documento é assinado por fóruns, redes, movimentos sociais, centrais sindicais e associações ligadas a trabalhadores, quilombolas, mulheres e povos tradicionais.
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Na carta, as organizações afirmam que a praça escolhida pelo candidato faz parte do memorial Maria Aragão, conjunto arquitetônico projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer como homenagem à médica maranhense. Segundo o texto, Niemeyer não cobrou pelo serviço por se tratar de uma homenagem à médica.
Maria Aragão é descrita no documento como uma mulher negra que foi presa e torturada durante a ditadura militar instaurada no Brasil em 1964. As entidades relatam que ela tinha 63 anos quando foi detida e que sofreu choques elétricos com os olhos vendados, além de chutes, bofetadas e puxões de cabelo. O texto menciona ainda que ela foi ameaçada de abuso sexual com um cacetete e que chegou a dormir em locais com ratos e restos de comida.
As organizações afirmam que Flávio Bolsonaro e seu pai, Jair Bolsonaro, celebram a ditadura que prendeu e torturou Maria Aragão. O documento cita também que ambos cultuam a memória do coronel Carlos Alberto Ustra, condenado por crimes de tortura durante o mesmo período.
A carta sustenta que a escolha do local desrespeita a memória da médica e pede que o ato seja transferido para outro ponto da cidade. As entidades dizem que a exigência é uma forma de respeito à trajetória de Maria Aragão e ao memorial que leva seu nome.
O documento é assinado por mais de 40 organizações, entre elas o Fórum Maranhense de Mulheres, a Rede de Mulheres Negras do Maranhão, o Movimento Quilombola do Maranhão, a CUT-MA, a Comissão Pastoral da Terra, o MST, a UNEGRO Maranhão e diversos sindicatos de trabalhadores do estado.
Leia a Carta na integra:
CARTA ABERTA
As organizações sociais que assinam este documento exigem que o candidato Flávio Bolsonaro respeite a memória de Maria Aragão e mude o local de sua campanha na cidade de São Luís, a capital do Maranhão.
Trata-se de uma exigência! Queremos respeito! Não aceitamos que a memória de Maria seja pisoteada.
A praça onde o candidato Flávio Bolsonaro planejou realizar seu ato político, no Centro de São Luís, faz parte de um memorial que presta homenagem à médica maranhense Maria Aragão, uma mulher negra que foi barbaramente torturada pela ditadura militar instaurada no Brasil, em 1964, pela extrema direita.
Flávio Bolsonaro e seu pai, Jair Bolsonaro, celebram a ditadura que prendeu e torturou Maria Aragão. E, mais do que isso, eles cultuam a memória do coronel Carlos Alberto Ustra, condenado exatamente por crimes de tortura durante essa mesma ditadura.
Por lutar em favor da democracia e da justiça social, Maria Aragão foi presa por essa ditadura, que sustentava os crimes de Ustra, coronel hediondo que torturou inclusive crianças e mulheres grávidas.
A médica Maria Aragão era uma senhora de 63 anos quando foi presa e torturada pela ditadura.
Com venda nos olhos, levou grande quantidade de choques elétricos, quando teve crises de hipertensão. Foi ameaçada de sofrer abusos sexuais com um cacetete.
Maria levou chutes, foi esbofeteada, arrastada e puxada pelos cabelos. Mal alimentada, chegou a dormir em locais onde havia ratos e restos de comida.
Todo o memorial Maria Aragão, incluindo a praça, foi projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, que não cobrou pelo serviço, por se tratar de uma homenagem a médica maranhense.
Por tudo isso, pelo mais profundo respeito à memória de Maria, é que nós estamos vindo a público exigir a mudança do local da campanha do candidato da extrema direita, que é politicamente ligado aos crimes da ditadura.
Fórum Maranhense de Mulhres
Rede de Mulheres Negras do Maranhão – REMNEGRA
Movimento Quilombola do Maranhão (Moquibom)
Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares
Central Unica dos Trabalhadores (CUT-MA)
Comissão Pastoral da Terra (CPT-MA)
Povo Akroá Gamella -TI Taquaritiua
Associação Brasileira de Rádios Comunitárias no Maranhão (Abraço-MA)
Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão
Fóruns e Redes de Cidadania do Maranhão
APRUMA – Seção Sindical do ANDES-SN
Sindicato dos Profissionais do Magistério da Rede Pública Municipal de São Luís (SINDEDUCAÇÃO)
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
Movimento de Defesa da Ilha
Levante da Juventude
UNEGRO MARANHÃO
Movimento Mulheres em Luta
CSP Conlutas
Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB Maranhão)
Nova CTB Maranhão
UJS – União da Juventude Socialista
Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe
Quilombo Raça e Classe/MA
Sindicato dos Metalurgicos do Maranhão (SINDMETAL)
Sindicato dos Bancários do Maranhão (SEEB-MA)
Sindicato dos Urbanitários do Maranhão (StiuMa)
Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias dos Estados do Maranhão, Pará e Tocantins (Stefen)
Sintsprev -MA
Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência/Ma
Sintsep-MA – Sind. Dos Trabalhadores no Serv Público do Estado do Ma
Federação Interestadual dos Trabalhadores Ferroviários/CUT
Sintrajufe/MA
SINTES- MARANHÃO
Confederação dos Trabalhadores em Transporte e Logística/CUT
Centro de Defesa dos Direitos do Povo Padre Cláudio Bergamaschi
Centro de Formação para a Cidadania AKONI
Comitê de Solidariedade à Luta pela Terra – COMSOLUTE
Semear/PSOL/MA
Agência Tambor
A Feira do Empreendedorismo do Quilombo URBANO da Liberdade


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