O Maranhão chega ao segundo turno desta eleição presidencial com uma questão que vai além das fronteiras do estado: o que fará o governador Carlos Brandão? A dúvida não é retórica. Ela revela, com precisão cirúrgica, as contradições de uma elite política que prefere o cálculo à clareza, o silêncio à responsabilidade.
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Brandão enfrenta pressão de aliados para não apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa o segundo turno contra Flávio Bolsonaro. A pressão parte de dentro da própria base governista, de parlamentares e prefeitos alinhados ao PL e de um Republicanos que, a nível nacional, já fechou questão pelo candidato bolsonarista. O quadro é conhecido: o pragmatismo do poder local colidindo com qualquer perspectiva de coerência programática.
Mas o que está em jogo não é apenas a sobrevivência política de um governador. É a pergunta que o segundo turno faz a todo ator público com poder de mobilização: de que lado você está quando o que está em disputa é o próprio modelo de país?
Lula representa, com todas as suas limitações e contradições, um projeto que ampliou renda, reduziu a miséria, recolocou o Estado como agente ativo no desenvolvimento nacional e garantiu a quem menos tem alguma presença nos orçamentos públicos. Flávio Bolsonaro representa a continuidade de um projeto que, ao longo de quatro anos, desmontou políticas sociais, hostilizou a ciência, enfraqueceu os órgãos de fiscalização e operou sob a sombra permanente da violência institucional.
Não existe neutralidade honesta diante dessa escolha. O silêncio de Brandão, portanto, não é imparcialidade. É uma posição. E uma posição que, por omissão, beneficia quem mais se distancia dos interesses da população maranhense, historicamente marcada pela desigualdade, pela dependência de programas federais e pela necessidade de um Estado presente e funcional.
A pressão que chega ao governador vem, sobretudo, de quem defende interesses eleitorais próprios para 2028 e de siglas que migraram para o campo bolsonarista sem qualquer constrangimento ideológico. Ceder a essa pressão seria, no limite, subordinar o interesse coletivo ao interesse da manutenção de arranjos de poder que em nada servem ao povo do Maranhão.
Governar é escolher. E quem escolhe o silêncio em momentos decisivos colhe, mais cedo ou mais tarde, os resultados do que preferiu não enfrentar.


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