Whey protein, creatina, vitaminas, minerais, fibras… cada vez mais, a suplementação vem deixando de estar associada apenas a quem frequenta academias ou busca alto desempenho esportivo. Hoje, eles estão cada vez mais acessíveis e já fazem parte do carrinho de compras de consumidores com diferentes idades, rotinas e necessidades.
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Os números ajudam a dimensionar essa mudança. O mercado brasileiro de suplementos alimentares movimentou cerca de R$ 7,6 bilhões em 2025, crescimento de 15% em relação ao ano anterior, segundo a Associação Brasileira de Suplementos Alimentares (Brasnutri), com base em levantamento da Euromonitor International. Algumas das categorias mais conhecidas avançaram ainda mais: dados da Scanntech, em parceria com a McKinsey, apontam crescimento de 124% nas vendas de whey protein e de 89% nas de creatina ao longo de 2025.
O fenômeno, inclusive, nem é tão recente: pesquisa realizada pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (Abiad) e pela Toledo & Associados mostrou que, em 2020, 59% dos lares brasileiros tinham ao menos uma pessoa consumindo suplementos alimentares. O levantamento, realizado com 1.006 pessoas de 17 a 70 anos nas cinco regiões do país, apontou crescimento de 10% no consumo em relação à edição anterior, de 2015.
Para a nutricionista do Spazio Mariana Sousa, a mudança está relacionada tanto aos novos hábitos quanto à forma como as pessoas passaram a enxergar esses produtos. “Hoje, os suplementos estão mais presentes porque as pessoas buscam praticidade, melhora da qualidade da alimentação, suporte à prática de atividade física e, em alguns casos, correção de deficiências nutricionais. Além disso, houve uma popularização muito grande do tema nas redes sociais e uma maior variedade de produtos disponíveis”, explica.
Essa diversificação também mudou o lugar onde os suplementos são encontrados. Produtos que durante muito tempo estiveram concentrados em lojas especializadas passaram a ganhar áreas próprias no varejo alimentar. No Spazio, por exemplo, as principais lojas contam com um corredor inteiro dedicado ao segmento, dentro de uma proposta que reúne diferentes categorias ligadas à alimentação e à saudabilidade.
“A saudabilidade é um dos pilares que orientam a construção do mix de produtos do Spazio. Percebemos que o consumidor passou a buscar produtos para diferentes necessidades da rotina, e os suplementos fazem parte desse movimento. Por isso, investimos em variedade e em um espaço que permita encontrar, no mesmo ambiente das compras do dia a dia, opções que antes estavam muito concentradas em estabelecimentos especializados”, afirma Neidiane Pozzer, diretora de Operações do Spazio.
Além da academia
A ampliação do público também ajuda a explicar por que whey protein e creatina, dois dos nomes mais conhecidos da suplementação esportiva, passaram a interessar pessoas que não necessariamente têm a hipertrofia como objetivo.
“O whey protein é uma fonte de proteína de alta qualidade e pode ser utilizado por pessoas que precisam aumentar a ingestão proteica, independentemente de praticarem musculação. Pode ser especialmente interessante pela praticidade em situações em que é difícil atingir a necessidade de proteína por meio das refeições”, explica Mariana.
A nutricionista acrescenta que a creatina também possui aplicações relacionadas ao desempenho físico e à função muscular e vem sendo estudada em outros contextos de saúde. Isso não significa, porém, que seu uso seja necessário ou indicado para qualquer pessoa. “Tanto o whey quanto a creatina podem ter aplicações além da musculação, mas a indicação deve considerar o contexto, os objetivos e as necessidades individuais de cada pessoa”, explica.
Proteínas são apenas parte desse universo. Vitaminas e minerais podem ser utilizados para corrigir deficiências nutricionais e em estratégias relacionadas a diferentes necessidades. As fibras, por sua vez, também ganharam espaço pela praticidade e podem contribuir para o funcionamento intestinal e, dependendo do tipo e do contexto alimentar, auxiliar no controle do colesterol e da glicemia.
Há ainda situações específicas, como determinadas fases da vida, condições clínicas e restrições alimentares, nas quais a suplementação pode desempenhar um papel importante. Em todos esses casos, ressalta Mariana, a função continua sendo complementar a alimentação.
Segundo a nutricionista, a alimentação equilibrada deve permanecer como base. A suplementação pode ser uma ferramenta quando a dieta não consegue atender determinada necessidade, quando existe uma deficiência nutricional, em algumas condições clínicas ou restrições alimentares ou ainda quando a rotina dificulta atingir a quantidade necessária de determinados nutrientes.
“O ideal é que a escolha seja individualizada, considerando alimentação, rotina, objetivos, estado de saúde, necessidades nutricionais e, quando necessário, exames e acompanhamento profissional”, conclui.


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