Nas madrugadas que se seguiram ao primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras, redações espalhadas pelos quatro cantos do planeta debruçaram-se sobre os números que saíam das urnas. The New York Times, The Guardian, Reuters, Le Monde, BBC, Al Jazeera. Todos com os olhos no Brasil. Todos atentos ao mesmo dilema: um país que, mais uma vez, se vê diante de uma encruzilhada histórica.
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Com 99,94% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro, senador pelo PL, terminou o primeiro turno com 47,04% dos votos. Lula, presidente em exercício e um dos líderes políticos mais relevantes da história da América Latina, ficou com 45,15%. A diferença, de pouco menos de dois pontos percentuais, não foi suficiente para encerrar a disputa, e os brasileiros voltarão às urnas no próximo dia 25.
A imprensa internacional não escondeu a surpresa. A Reuters chegou a afirmar que Flávio “superou as expectativas”. O argentino Clarín classificou o resultado como uma “surpresa”. O Le Monde cuidou de lembrar ao mundo quem é o pai do candidato: Jair Bolsonaro, o ex-presidente de extrema-direita que deixou o poder em 2023 sob o peso de denúncias graves e de um país profundamente ferido.
Não é por acaso que o sobrenome pesa tanto. Flávio Bolsonaro não é apenas um senador de 45 anos em busca de seu primeiro mandato presidencial. Ele é o herdeiro político de um projeto que, durante quatro anos, sistematicamente atacou instituições democráticas, promoveu o negacionismo científico, esvaziou políticas sociais e produziu uma das piores gestões de saúde pública de que se tem memória no país. Votar em Flávio é, em larga medida, votar na continuidade de um legado que o povo brasileiro já conhece, e que custou caro demais.
Do outro lado, Lula disputa sua quarta eleição presidencial aos 81 anos. Símbolo da resistência popular, metalúrgico que virou presidente, preso político que voltou ao poder, o petista representa não apenas uma candidatura, mas uma memória coletiva de conquistas sociais: Bolsa Família, expansão do acesso à universidade, aumento real do salário mínimo, redução histórica da fome. Projetos que, quando interrompidos, deixaram marcas profundas na pele da população mais vulnerável.
O segundo turno não é, portanto, apenas uma disputa entre dois nomes. É uma escolha entre dois modelos de país. Entre um Brasil que investe na sua gente e um Brasil que entrega o Estado ao mercado e ao privilégio de poucos. Entre a política pública como instrumento de justiça social e o desmonte das estruturas que protegem os mais pobres.


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