O Maranhão recebe, em outubro, a primeira edição do Festival de Artes Cênicas Preta do Maranhão, iniciativa dedicada à valorização, circulação e visibilidade das artes cênicas pretas, afro-indígenas e afrodiaspóricas. O primeiro encontro com o público será no dia 9 de outubro, às 19h, no Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM), na Rua Direita, 149, Praia Grande, Centro Histórico de São Luís, com o lançamento oficial do festival.
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A noite de lançamento contará com apresentação da performance Ninho, do artista Leônidas Portella. Ninho é o primeiro fragmento de Revoada, espetáculo em construção que é fruto de uma investigação entre corpo, território, memória e transformação. Em seguida, as produtoras e idealizadoras do evento, Júlia Martins e Larissa Ferreira, apresentam o festival, objetivos e programação, com a presença de patrocinadores e apoiadores do projeto.
O Festival de Artes Cênicas Preta do Maranhão é uma realização da Afrodite Produções, apresentado pelo Ministério da Cultura, com patrocínio master da Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), patrocínio Sebrae e apoio do Sesc Maranhão, Centro Cultural Vale Maranhão, Secretaria Municipal de Cultura de São Luís, Curso de Licenciatura em Teatro da UFMA e Maximus Transportes.
Programação
A primeira edição do festival será realizada de 13 a 17 de outubro e ocupará diferentes espaços da capital maranhense com uma programação inteiramente gratuita, reunindo espetáculos de teatro, dança, performances, cenas curtas e oficinas em teatros (Napoleão Ewerton, Luiz Pazzini e Arthur Azevedo), praças e escolas de São Luís.
Artistas e grupos do Maranhão dividem a programação com produções de Minas Gerais, Ceará, São Paulo, Paraná e Bahia, promovendo encontros entre diferentes territórios, linguagens e experiências da cena negra brasileira.
A programação inclui, entre os espetáculos, Língua de Boi, da Cia Maranhense (MA); A Flor do Mulungu, do Coletivo Mulungu (MA); Mover-se como Plantas, da Plataforma GANG (MA); À Sombra da Goiabeira, do Teatro Negro e Atitude (MG); Malemole, da Companhia Déborah Santos (CE); O Tiro, de Luiz Lucas (MG); Histórias da Terra, do Grupo Baquetá (PR); e Parto Pavilhão, com Aysha Nascimento (SP), direção de Naruna Costa e texto de Jhonny Salaberg.
As performances ampliam esse mosaico de corpos, narrativas e poéticas. A mostra reúne trabalhos como Abayomis, de Ayanna Monteiro, Angel Karvalho e Jennifer Froes (MA); Insaciável, de Tamia Machado (MA); Cuidado com Nós, de Aquariane (SP); Oculto, de Ruan Francisco (MA); além da performance convidada Yarara Xaxará, de Tiyê Macau (MA).
Para a produtora Larissa Ferreira, a diversidade da programação traduz um dos propósitos que deram origem ao festival.
“Queremos que o festival seja um espaço onde diferentes expressões das artes cênicas negras possam se encontrar. Temos artistas do Maranhão dialogando com produções de outros estados, diferentes gerações, linguagens e formas de pensar a cena. Realizar esse encontro aqui é também afirmar a potência da produção artística negra maranhense e criar pontes com o que vem sendo produzido em outras partes do país.”, destaca Larissa.
Além das apresentações, a formação ocupa lugar importante na proposta do festival. A programação contempla oficinas de teatro, dança, dramaturgia, cultura popular e produção criativa, com atividades em equipamentos culturais e instituições de ensino. Entre elas estão Estética da Atitude e Poética da Negrura, com o Teatro Negro e Atitude (MG); Dançar a Floresta com as Yabás, com Inaê Moreira (BA); e atividades conduzidas por artistas e pesquisadores maranhenses.
O diálogo com a educação também ultrapassa os espaços tradicionais de apresentação. O festival desenvolverá ações educativas e de mediação em escolas da rede pública, aproximando estudantes das artes cênicas e das narrativas negras. As cenas curtas Dinamitadora, do Alumiou Núcleo de Expressões Artísticas, e Insurgência, de Lúcia Gato, por exemplo, terão apresentações em escolas públicas, ampliando o acesso à programação e fortalecendo a relação entre arte e educação.
Segundo a produtora Júlia Martins, realizar o festival no Maranhão carrega um significado que ultrapassa a própria programação artística.
“Realizar um festival dedicado às artes cênicas pretas no Maranhão tem uma força simbólica muito grande. Estamos em um território profundamente marcado pela presença e pelas contribuições da população negra, pela ancestralidade e por manifestações culturais que atravessam a nossa própria maneira de produzir arte. O festival nasce para reconhecer essa potência, ampliar espaços de expressão e colocar essas produções no centro da cena, em diálogo com artistas de diferentes partes do Brasil. ”, afirma Júlia.
Mais do que uma mostra artística, o Festival de Artes Cênicas Preta do Maranhão propõe um território de encontro, formação e circulação. Durante cinco dias, corpos, memórias, ancestralidades e experimentações contemporâneas ocupam palcos, espaços culturais, ruas e escolas, reafirmando a arte negra como parte fundamental da produção cultural brasileira.
A programação completa está disponível no perfil @festivaldeartescenicaspretama.
A cena preta existe, resiste e ocupa.


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