A trajetória de mais de cinco décadas de Fábio Vidotti na arte ganha uma exposição no espaço onde sua história artística em São Luís começou. A partir de 8 de outubro, o Palacete Gentil Braga recebe “Entre Tempos e Fazeres”, mostra retrospectiva que reúne trabalhos de diferentes momentos da produção do artista mineiro, radicado em São Luís desde 1982. Promovida pela Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da Universidade Federal do Maranhão, por meio da Diretoria de Assuntos Culturais (PROEC-DAC), a exposição segue aberta à visitação até 19 de novembro, das 8h30 às 17h.
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Aos 72 anos, Vidotti apresenta obras que atravessam diferentes linguagens e técnicas desenvolvidas ao longo de sua trajetória. A mostra reúne sete placas produzidas na técnica de assemblagem, duas esculturas em aço, nove imagens de esculturas impressas em Canva e apresentadas em quadros no formato A3, oito obras emolduradas com vidro na técnica de giz pastel e 19 pinturas em grandes formatos, realizadas em acrílica.
Autodidata, o artista conta que o desenho faz parte de sua vida desde a adolescência, quando começou a observar as paisagens de Belo Horizonte, sua cidade natal. As montanhas, as casas e os aglomerados urbanos que via ao seu redor deram origem a uma pesquisa que acompanharia sua produção por décadas. Depois de trabalhar por mais de 30 anos na indústria e morar em diferentes estados por motivos profissionais, Vidotti chegou a São Luís trazendo consigo a prática artística.
Foi na capital maranhense que encontrou novos elementos para sua produção. Suas pinturas passaram a incorporar a paisagem urbana ludovicense, tema recorrente em sua trajetória. Ao longo dos anos, também desenvolveu trabalhos em escultura, abstração e assemblagem, além de explorar materiais como bastões oleosos, acrílica, giz pastel e aço.
A relação com o Palacete Gentil Braga ocupa um lugar especial nessa trajetória. Foi no espaço que Vidotti realizou, em 1994, sua primeira exposição em São Luís, “Múltiplas Impressões de Vidotti”. Em 2000, também foi premiado com suas esculturas no Prêmio Universidade. O retorno com uma exposição exclusiva ao local, mais de três décadas depois, marca uma nova etapa de uma trajetória construída entre diferentes técnicas, materiais e linguagens.
“Falar do Palacete Gentil Braga é falar de uma parte fundamental da minha trajetória. É falar de um lugar que foi escola, encontro, aprendizado e, sobretudo impulso. Foi aqui que construí caminhos, conquistei vitórias e tive a oportunidade de conhecer e conviver com grandes nomes da arte do Maranhão, muitos deles que hoje já não estão entre nós, mas permanecem vivos na minha memória e na história da nossa arte”, afirma o artista.
A exposição também reúne trabalhos voltados à sustentabilidade, como as assemblagens produzidas com placas de computador que seriam descartadas. Para Vidotti, a experimentação com diferentes materiais acompanha sua própria compreensão da arte, que também passa por cenas urbanas, abstrações e referências à cultura maranhense.


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