A Direção Geral do Sindicato dos Urbanitários do Maranhão (Stiu-Ma) aprovou, por unanimidade, durante reunião realizada entre os dias 23 e 25 de setembro de 2026, uma moção de repúdio contra práticas abusivas de gestão na Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema), na Regional de Santa Inês. O documento reúne relatos de trabalhadores e aponta uma série de medidas arbitrárias atribuídas ao gerente da unidade.
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De acordo com a moção, o gerente da Regional vem adotando condutas que incluem retaliação, constrangimento e vigilância abusiva sobre os empregados. Entre os episódios relatados está a proibição de que os trabalhadores permaneçam em seu local de trabalho, a oficina, e a determinação para que ocupem um espaço pequeno, improvisado e inadequado.
Segundo o sindicato, a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) havia solicitado cadeiras para a oficina, onde os trabalhadores usavam bancos precários e até pneus como assento. Em vez de atender à reivindicação, o gerente teria reagido com hostilidade, fechando a oficina e proibindo a permanência dos empregados. Eles foram então direcionados a uma sala de aproximadamente 12 metros quadrados, já ocupada pelo chefe de sistema e pelo encarregado de combate à fraude, com duas mesas no ambiente. No local, foi colocada uma longarina de três assentos para os trabalhadores da oficina.

O documento destaca que a intenção de constranger e retaliar se torna mais evidente quando os próprios trabalhadores relatam que o mesmo gerente vetava anteriormente a permanência deles nessa mesma sala, alegando que atrapalhava a dinâmica do trabalho. Ou seja, segundo o sindicato, antes não podiam, agora podem.
A moção também questiona a instalação de câmeras no ambiente de trabalho. O sindicato afirma que o gerente declarou que, quando estão sentados na oficina, os trabalhadores ficam falando mal dele e do encarregado. A partir dessa fala, a entidade levanta a preocupação de que a câmera instalada na oficina esteja sendo usada para ouvir conversas e monitorar a atuação sindical, captando áudios e imagens para intimidar trabalhadores, membros da CIPA e dirigentes sindicais.
O Stiu-Ma reafirma que a instalação de câmeras deve ter finalidade de segurança das pessoas e do patrimônio, com monitoramento transparente e dentro do limite necessário a esse fim, sem jamais ser usada abusivamente para constranger e intimidar a prática sindical.
Outro ponto denunciado é a prática recorrente de culpar trabalhadores e trabalhadoras pelos problemas gerados pela má gestão, como a interrupção no abastecimento de água, inclusive com expressões ofensivas do tipo empregados da Caema não fazem nada. O sindicato classifica a postura como uma transferência de responsabilidade injusta e desonesta.
A entidade ressalta que os episódios não são isolados. Há outras denúncias de assédio moral na Regional, como o caso da gestora de Vitória do Mearim, que gerou denúncia do Stiu-Ma junto ao Ministério Público. A Caema já foi ouvida e tentou alegar que não há assédio, mas o sindicato ainda será ouvido.
Diante dos relatos, a Direção Geral do Stiu-Ma endossa o posicionamento já público da Direção Executiva do Sindicato e reafirma que trabalhadores e trabalhadoras merecem respeito e tratamento digno no ambiente de trabalho. A entidade sustenta que dirigente sindical não pode ser vigiado, intimidado ou submetido a castigo disfarçado de organização do serviço.
O sindicato também afirma que exigir condições dignas de trabalho não é insubordinação e que a atuação da CIPA é legítima, não podendo ser coibida ou ameaçada. Segundo a moção, a gerência de qualquer regional pode organizar o trabalho, mas esse poder não autoriza humilhações, isolamento, constrangimento, vigilância abusiva ou qualquer medida destinada a intimidar trabalhador e enfraquecer a representação sindical.
A Direção Geral do Stiu-Ma reivindica a apuração das condutas da gestão da Regional de Santa Inês, o fim de qualquer tipo de assédio e o acesso dos trabalhadores aos seus locais de trabalho com garantia de condições adequadas. A entidade também pede esclarecimentos quanto ao uso da câmera, desde sua finalidade até a forma de monitoramento e tratamento dos registros feitos.
O sindicato manifesta solidariedade aos trabalhadores, trabalhadoras e dirigentes sindicais da Regional de Santa Inês e repudia qualquer ato de perseguição, humilhação e desrespeito. A Direção Geral do Stiu-Ma encerra o documento com a afirmação de que a entidade não se vende e não se rende.


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