Meningite bacteriana pode matar até três em cada dez pacientes

Especialista explica por que identificar o agente causador é importante para direcionar o tratamento e como testes rápidos incorporados ao SUS podem contribuir para o diagnóstico da doença

Febre alta, dor de cabeça intensa, rigidez na nuca, náuseas, vômitos e sensibilidade à luz podem estar presentes tanto nas meningites virais quanto nas bacterianas. Apesar dos sintomas semelhantes, a gravidade e o tratamento podem ser muito diferentes. No Brasil, a meningite bacteriana apresenta taxa de letalidade entre 20% e 30%, segundo o Ministério da Saúde, com risco mais elevado para crianças menores de cinco anos e idosos. 

De acordo com a biomédica Alessandra Zacarias, a doença é caracterizada pela inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal e pode ser causada por bactérias, vírus, fungos e outros agentes. Nos quadros bacterianos, a evolução pode ser rápida e resultar em complicações graves, sequelas permanentes ou morte. 

Anúncios

“Somente pelos sintomas nem sempre é possível saber qual agente está causando a meningite. Essa identificação ajuda a equipe médica a direcionar o tratamento e, quando houver risco de transmissão, a definir as medidas necessárias para proteger as pessoas que tiveram contato próximo com o paciente”, explica Alessandra Zacarias, biomédica e gerente regional de Produto para Diagnóstico Sindrômico da QIAGEN na América Latina. 

Diante da suspeita de meningite bacteriana, o atendimento deve ser imediato. Por isso, o tratamento com antibióticos pode ser iniciado antes da conclusão dos exames laboratoriais. Os resultados contribuem posteriormente para confirmar a causa e avaliar, em conjunto com o quadro clínico, se o tratamento iniciado deve ser mantido ou ajustado. 

Anúncios

De até 48 horas para cerca de uma hora 

O diagnóstico pode envolver diferentes exames. A cultura do líquido cefalorraquidiano, também chamado de líquor, permanece uma ferramenta importante na investigação das meningites bacterianas e fúngicas, mas os resultados positivos costumam levar entre 24 e 48 horas, conforme o relatório da Conitec sobre a incorporação do PCR multiplex ao SUS – uma tecnologia que ajuda a reduzir esse intervalo. 

A partir de uma única amostra de líquor, determinados painéis sindrômicos de PCR multiplex podem pesquisar até 16 agentes relacionados às meningites e encefalites, incluindo bactérias, vírus e fungos, com resultados em cerca de uma hora. O teste identifica o material genético dos agentes incluídos no painel e permite investigar diferentes causas em uma única análise. 

Anúncios

“Em uma emergência como a meningite, ter acesso mais rapidamente a informações sobre o possível agente causador pode ajudar a confirmar ou ajustar a conduta inicial. A identificação de uma causa viral, por exemplo, pode contribuir para a reavaliação do uso de antibióticos, que não atuam contra vírus. Já a detecção de uma bactéria pode apoiar a adequação do tratamento e das medidas de prevenção, sempre considerando o quadro clínico e os demais resultados laboratoriais”, afirma a especialista da QIAGEN. 

Os painéis moleculares, entretanto, não substituem a avaliação médica nem os demais exames laboratoriais, incluindo a cultura, que, quando positiva, permite o isolamento do microrganismo e a avaliação de sua suscetibilidade aos antibióticos. 

Anúncios

Diagnóstico e tratamento estão entre as prioridades até 2030 

As Diretrizes para Enfrentamento das Meningites até 2030, do Ministério da Saúde, incluem diagnóstico e tratamento entre os cinco pilares da estratégia brasileira. Alinhado ao roteiro da Organização Mundial da Saúde, o documento prevê eliminar epidemias de meningite bacteriana, reduzir pela metade os casos das formas preveníveis por vacinação e diminuir em 70% as mortes até 2030. 

Nesse contexto, a acesso aos painéis de PCR multiplex também teve avanços regulatórios. O teste para detectar múltiplos agentes bacterianos, virais e fúngicos causadores de meningites e encefalites foi incorporado ao SUS pela Portaria SECTICS/MS nº 61, de dezembro de 2024. Na saúde suplementar, passou a ter cobertura obrigatória pelos planos em fevereiro de 2025, após a Resolução Normativa nº 627 da Agência Nacional de Saúde Suplementar. 

Anúncios

Ainda que essas contribuições sejam bastante relevantes, a orientação diante de sinais suspeitos de meningite permanece a mesma. “A vacinação, o reconhecimento dos sinais de alerta, a procura imediata por atendimento e o acesso ao diagnóstico fazem parte da mesma resposta. A tecnologia ajuda a obter informações em menos tempo, mas o primeiro passo continua sendo buscar assistência médica sem esperar que os sintomas se agravem”, conclui Alessandra. 

Leia outras notícias em cubo.jor.br. Siga o Cubo no BlueSky, Instagram e Threads, também curta nossa página no Facebook e se inscreva em nossos canais, do Telegram e do Youtube. Envie informações e denúncias através do nosso e-mail.

Deixe uma resposta

Anúncios
Anúncios
Image of a golden megaphone on an orange background with the text 'Anuncie Aqui' and a Whatsapp contact number.
Anúncios

Descubra mais sobre Cubo

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo

Descubra mais sobre Cubo

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo