Nesta terça-feira, às 22h15, os maranhenses terão diante de si algo cada vez mais raro na política contemporânea: candidatos ao governo do estado disputando ideias em tempo real, olho no olho, sem o filtro das redes sociais, sem o conforto do post agendado e sem a segurança do bloco de seguidores que só aplaude.
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O debate da TV Mirante, com seis candidatos ao Governo do Maranhão, mediado pelo jornalista Helter Duarte, chega em um momento em que o debate político, paradoxalmente, nunca foi tão barulhento e tão vazio ao mesmo tempo. Nunca se falou tanto de política. Nunca se disse tão pouco.
As redes sociais transformaram a disputa eleitoral em uma guerra de narrativas fragmentadas. O candidato posta. O eleitor curte. O algoritmo decide o que cada bolsão ideológico vai consumir. Não há confronto, não há contraditório, não há o desconforto necessário que a democracia exige. Cada um vive dentro de sua própria câmara de eco, convencido de que o adversário é um monstro e que o seu candidato é um herói.
O debate ao vivo, com toda a sua imperfeição, rompe essa lógica. Ele coloca no mesmo espaço físico pessoas com projetos distintos de sociedade e obriga que elas se respondam. Não por cortesia, mas por regra. E é exatamente aí que reside o seu valor democrático insubstituível.
Quando Felipe Camarão, do PT, abrir o primeiro bloco com uma pergunta, ou quando Saulo Arcangeli, do PSTU, fizer suas considerações finais, os eleitores vão assistir a algo que a timeline do Instagram jamais oferecerá: o confronto de projetos, o teste da coerência, a exposição das fragilidades de cada um.
E há outra dimensão que merece ser dita com clareza: debates importam especialmente para a parcela da população que não tem acesso amplo ao consumo de conteúdo político qualificado nas plataformas digitais. A TV aberta ainda chega onde o smartphone de última geração não chega. A TV Mirante, afiliada da Rede Globo e principal emissora do estado, transmitindo ao vivo para o Maranhão inteiro, cumpre um papel que vai muito além do jornalístico. Ela cumpre um papel de cidadania.
Há quem diga que debates são teatro. Que candidatos se preparam com coaches, que as respostas são ensaiadas, que ninguém muda de opinião assistindo a um programa desses. Pode ser. Mas é um teatro que a democracia precisa encenar. Porque a alternativa, o debate reduzido a memes e cortes de vídeo manipulados nas redes, é muito pior.
O Maranhão tem problemas sérios e estruturais. Saúde pública em colapso, educação precarizada, habitação deficiente, segurança alimentar ainda uma promessa, desigualdade histórica que não desaparece por decreto. Os candidatos que estarão sob as luzes dos estúdios esta noite precisam ser confrontados com essa realidade. Não nas suas próprias páginas, onde controlam a narrativa. Mas ali, ao vivo, com cronômetro, com réplica e com tréplica.
Há uma diferença fundamental entre o candidato que convence no vídeo de trinta segundos e o candidato que sustenta um argumento por três minutos diante de um adversário que o desafia. A primeira habilidade é de marqueteiro. A segunda é de governante.
Que os maranhenses assistam. Que façam perguntas mesmo que não possam fazê-las diretamente. Que observem quem desvia, quem aprofunda, quem trata o eleitor como sujeito e quem o trata como plateia.
Porque no fim, é isso que um debate bem conduzido ainda oferece: a chance de ver o candidato antes de entregá-lo as chaves do estado.


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