Centro Cultural Vale Maranhão apresenta primeira exposição de Liça Pataxoop

“Minha escrita é o desenho” reúne cerca de 80 trabalhos e aproxima o público dos saberes, das memórias e da cosmologia do povo Pataxoop

O Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM) apresenta, de 23 de setembro de 2026 a 22 de maio de 2027, “Liça Pataxoop: Minha escrita é o desenho”, primeira exposição da artista, educadora e liderança indígena Pataxoop. A mostra reúne cerca de 80 desenhos realizados por Liça e por jovens da aldeia Muã Mimatxi, em Itapecerica (MG), além de vídeos e uma instalação imersiva. Os trabalhos, chamados por Liça de têhêys de pescaria de conhecimentos, são desenhos que funcionam como uma forma de escrita e registram saberes, memórias, histórias e relações do povo Pataxoop com seu território.

A palavra têhêy originalmente designa um instrumento de pesca confeccionado pelas mulheres e crianças Pataxoop com tucum e cipó. No trabalho de Liça, o termo ganha novo significado: o têhêy se transforma em uma ferramenta para “pescar” conhecimentos da vida e transmitir, por meio de imagens, ensinamentos entre gerações.

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“Desde o tempo ancestral, nós ensinamos e aprendemos pelo olhar, o escutar e tudo que fazemos na terra. O têhêy é um pescador de conhecimento da vida, uma escrita do aprendizado que vem da tradição”, afirma a artista. “É o meu livro em que apresento a minha leitura da memória, a escrita do meu aprendizado na escola da vida em que me formei.”

Nascida em Barra Velha, no sul da Bahia, Liça cresceu em contato com os saberes de seu povo e com a Mata Atlântica. Em 2006, ao lado de seu companheiro Kanatyo Pataxoop e de sua família, participou da fundação da aldeia Muã Mimatxi, onde a reconstrução da floresta e do território está ligada à restauração da vida e ao fortalecimento dos conhecimentos Pataxoop. Educadora da Escola Estadual Indígena Muã Mimatxi, Liça atua na construção de uma educação específica, intercultural e multilíngue.

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Com curadoria de Felipe Carnevalli de Brot, Paula Lobato e Paulo Maia, a exposição é, embora leve o nome de Liça, essencialmente coletiva. Seus têhêys nascem de uma rede de relações que inclui família, comunidade, animais, plantas, rios, mar, ancestrais e os yãmixoop, seres-espíritos que integram a cosmologia Pataxoop.

“Cada obra apresentada aqui nasce dessa rede de relações. Seus têhêys de pescaria de conhecimento não são imagens isoladas, mas lugares de encontro entre a ancestralidade e os valores importantes da vivência pataxoop. São imagens que contam, lembram e, principalmente, ensinam”, afirmam os curadores.

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Ao reunir arte, educação e território, a mostra propõe ao público o contato com uma perspectiva indígena sobre a produção e a transmissão do conhecimento. A expografia incorpora princípios de sustentabilidade e recursos de acessibilidade, ampliando o acesso de diferentes públicos aos conteúdos da exposição.

A noite de abertura da exposição acontece no dia 22 de setembro (terça-feira), às 19h, no Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM), com a presença da artista. O evento é aberto ao público, que terá a oportunidade de visitar os espaços da mostra em primeira mão. Receber “Liça Pataxoop: minha escrita é o desenho” é uma realização para o CCVM enquanto instituição:

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“A cultura indígena, ainda mais dentro do campo da educação, é um dos eixos de trabalho do CCVM. Durante seis edições, nós fizemos um seminário especialmente dedicado à educação indígena. A exposição de Liça Pataxoop, como uma amostra do pensamento formativo pataxoop, criado por ela a partir das bases do território, vem coroar todo esse processo de trabalho e abrir novos caminhos e frentes para a discussão das questões da educação.São novos caminhos e frentes para uma educação libertária”, celebra Gabriel Gutierrez, diretor do Centro Cultural Vale Maranhão.

Conheça Artista e Curadores
Liça Pataxoop é educadora e liderança da aldeia Muã Mimatxi, em Itapecerica (MG). Atua na Escola Estadual Indígena Muã Mimatxi e, por meio dos têhêys, que considera uma forma de escrita, transmite aos jovens os conhecimentos, histórias e ensinamentos de seu povo.

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Paulo Maia é antropólogo e professor associado da Faculdade de Educação da UFMG, com atuação em antropologia, etnologia, pedagogia, educação escolar indígena e cinema.

Felipe Carnevalli de Brot é arquiteto e urbanista, mestre em Arquitetura e Urbanismo pela UFMG e em Antropologia pela EHESS, em Paris. Foi designer do Instituto Tomie Ohtake, co-editor da revista PISEAGRAMA e é fundador do estúdio Cosmopolíticas Editoriais, que trabalha com a aldeia Muã Mimatxi na produção de livros de autoria Pataxoop.

Paula Lobato é arquiteta e urbanista e mestre em Arquitetura e Urbanismo pela UFMG. Foi designer do Instituto Tomie Ohtake, co-editora da revista PISEAGRAMA e é fundadora do estúdio Cosmopolíticas Editoriais. Também atuou no BDMG Cultural como coordenadora de projetos.

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Conheça o Centro Cultural Vale Maranhão

O Centro Cultural Vale Maranhão é um espaço cultural mantido pelo Instituto Cultural Vale, por meio da Lei Rouanet, com o objetivo de contribuir na democratização do acesso à cultura e valorização das mais diversas manifestações e expressões artísticas da região.

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