O veterinário Wilson Grassi Junior (Democrata), 56, candidato ao Planalto pela primeira vez, apresentou um conjunto de propostas que inclui a elevação do subsídio mensal de deputados e senadores para R$ 1 milhão, a extinção da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e o condicionamento do voto de beneficiários do Bolsa Família à manutenção do auxílio.
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Grassi, que se autodenomina “protetor de animais” e afirma ser o primeiro postulante à Presidência a usar esse título, defende o reajuste dos salários parlamentares como forma de eliminar as emendas e cortar despesas com assessoria, veículos e plano de saúde atualmente custeadas com recursos públicos. Segundo o candidato, a medida resultaria em uma economia anual de cerca de R$ 300 bilhões, valor que diz ter calculado a partir de reportagens sobre emendas públicas e “emendas secretas”. A proposta não consta do programa de governo registrado na Justiça Eleitoral. Grassi atribui a ausência ao receio de desagradar a legenda, à qual se filiou neste ano.
Outra iniciativa anunciada pelo candidato, batizada de “Meu Botox, Minha Vida”, prevê a aplicação gratuita de toxina botulínica em mulheres de baixa renda. Grassi afirma que o projeto visa à autoestima e seria custeado com parte da arrecadação sobre cosméticos ou com cortes no financiamento público de campanhas.
Na área econômica, Grassi propõe a substituição de nove tributos federais por um imposto único de 2% sobre movimentações bancárias, com o argumento de que o modelo tornaria mais vantajoso para as empresas pagar impostos do que sonegar. Também defende o fim da CLT e da Justiça do Trabalho, sob a justificativa de que a eliminação de encargos trabalhistas elevaria os salários. “A gente precisa matar o Getúlio Vargas, ou enterrar, porque ele já morreu, mas ele deixou uma cultura de que o empregado é um coitadinho”, afirmou.
Em relação ao Bolsa Família, o candidato propõe aumentar o valor do benefício para R$ 2.000, mas com a condição de que os beneficiários percam o direito de votar. Ele justifica a medida afirmando que “as pessoas mais pobres tendem a votar na esquerda, as pessoas mais ricas tendem a votar na direita” e que a esquerda “quer se eternizar no poder mantendo as pessoas pobres”.
O plano de governo do candidato também prevê a abertura de debate sobre a regulamentação da mineração em terras indígenas. Grassi argumenta que o garimpo ilegal já ocorre nessas áreas sem fiscalização e que a legalização permitiria controle e arrecadação.
Grassi declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 50 milhões, registrado como item único, sem discriminação de imóveis ou empresas. Procurado, afirmou que a declaração está dentro da lei, que possui cerca de 50 empresas e diversos imóveis, e que optou por não detalhar os bens por questões de privacidade.
Esta é a quarta disputa eleitoral do veterinário. Ele foi derrotado nas candidaturas a deputado estadual em São Paulo (2006, pelo PFL) e a vereador na capital paulista (2024, pelo PRTB). Em 2022, teve o registro de candidatura a deputado federal indeferido pela Justiça Eleitoral por “ausência de requisito de registro”.
Concorrendo com a vice Suêd Haidar, fundadora do Democratas, Grassi afirma que procurou a legenda, pediu inicialmente para concorrer ao Senado e depois convenceu a direção do partido a lançá-lo à Presidência. “Houve uma comunhão de pensamento e o partido aceitou a minha candidatura”, disse.
Sobre as chances de vitória, o candidato declarou: “A minha necessidade de ganhar a eleição é zero. Eu tenho obrigação de falar a verdade e deixar a critério da imprensa e do eleitor a decisão se eu mereço essa confiança ou não.”


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