O Teatro Arthur Azevedo, joia arquitetônica do centro histórico da capital maranhense, será palco, a partir do próximo dia 20 de agosto, de um espetáculo que atravessa gerações e geografias. “Fafá de Belém, o Musical” desembarca na cidade para uma temporada de oito apresentações, estendendo-se até o dia 30 daquele mês. A montagem, que já percorreu o Rio de Janeiro, São Paulo e Belém do Pará com sucesso de crítica e público, presta homenagem aos 50 anos de carreira da artista paraense, uma das vozes mais emblemáticas da música popular brasileira.
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Realizado pela Charge Produções e apresentado pelo Ministério da Cultura e pela Petrobras, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, o musical utiliza a linguagem teatral para costurar as memórias da cantora com as lendas e mitos da floresta amazônica. A narrativa se desdobra em três planos temporais: o presente, durante a gravação de um documentário sobre sua vida no histórico Teatro da Paz, em Belém; a infância da artista, mergulhada nas tradições paraenses; e a trajetória de consagração nacional e internacional.
No centro da montagem está a presença de Lucinha Lins, atriz convidada que, aos 73 anos, interpreta a fase mais madura e politizada da homenageada. A relação entre as duas artistas, alimentada por uma amizade de longa data, confere à interpretação uma camada de afeto e intimidade com a personagem. Completam o trio de intérpretes Helga Nemetik, indicada ao prêmio Shell como melhor atriz, que dá vida à Fafá cantora, e Laura Saab e Clarah Passos, que se alternam no papel da Fafá-menina, sendo Saab neta da própria cantora.
A direção artística e o roteiro musical são assinados por Gustavo Gasparani, em parceria com Eduardo Rieche. A pesquisa de Rodrigo Faour embasa a reconstituição dos momentos cruciais da carreira de Fafá de Belém. A trilha sonora, conduzida por um conjunto de músicos sob a regência de Glauco Berçot, passeia por sucessos como “Filho da Bahia”, “Vermelho”, “Emoriô” e “Ave Maria”, costurando a religiosidade, o engajamento político e a relação afetiva da cantora com sua terra natal.
O espetáculo está dividido em dois atos. O primeiro é uma imersão na atmosfera amazônica, onde lendas como a Cobra Grande e o Boto se entrelaçam com a história familiar e religiosa da protagonista, culminando na emocionante cena do Círio de Nazaré. O segundo ato desloca o público para o universo urbano da MPB, destacando a participação de Fafá no movimento das Diretas Já, o apoio histórico à comunidade LGBTQIA+ e a redescoberta de suas raízes por meio do tecnobrega, em parceria com o DJ Zé Pedro.
Os ingressos para a temporada maranhense já estão disponíveis em plataformas online e na bilheteria do teatro, que funciona de terça a domingo. Os valores variam entre R$ 50 e R$ 220, com opção de meia-entrada para estudantes e idosos. A classificação indicativa é de 12 anos, e a duração prevista é de duas horas e 40 minutos, com intervalo de 15 minutos.
Além das apresentações, a produção do musical oferece, entre os dias 25 e 29 de agosto, oficinas gratuitas voltadas a teatro musical, produção cultural e ecoreciclagem, realizadas no próprio Teatro Arthur Azevedo, das 9h às 13h. A iniciativa amplia o alcance do projeto para além do palco, fomentando a formação de novos públicos e profissionais no setor cultural maranhense.
Após a passagem por São Luís, o musical segue para Belo Horizonte, onde se apresenta nos dias 18 e 19 de setembro, no teatro Sesc Palladium. A turnê reafirma o lugar de Fafá de Belém como uma intérprete cuja trajetória se confunde com a própria história da canção popular brasileira, levando aos palcos do país não apenas sua voz, mas a memória viva da Amazônia.


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