Seminário no CCVM coloca cultura popular no centro do debate sobre educação

Evento gratuito, em sua sexta edição, reúne mestres, pesquisadores e artistas para discutir saberes tradicionais e resistência em São Luís

O Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM) promove, a partir desta quarta-feira (8), a sexta edição do Seminário de Arte, Educação e Cultura. Com entrada franca e programação estendida até sexta-feira (10), o evento ocupa o espaço localizado na Praia Grande com palestras, conversas abertas e exibição de documentários.

O tema que guia os debates neste ano é “Saberes da Cultura Popular: Construção e Partilha”. A curadoria, assinada pelo Núcleo Educativo do CCVM, propõe uma reflexão sobre os mecanismos de criação e transmissão de conhecimento nos universos populares. A proposta é discutir, a partir da visão dos próprios representantes dessas culturas, a importância do pensamento popular na formação de uma sociedade insubmissa, além de mapear as estratégias de resistência adotadas por esses grupos.

Anúncios

De acordo com o coordenador do Núcleo Educativo do CCVM e curador do seminário, Ubiratã Trindade, o evento tem como propósito estimular o pensamento crítico e livre sobre arte, educação e cultura. Em cinco anos de trajetória, ele afirma que o seminário ajudou a divulgar perspectivas de mundo e valores que desafiam ideias estabelecidas. Trindade citou a contribuição de etnias indígenas, grupos de cultura popular e pensadores de diversas áreas das humanidades para a desconstrução de conceitos e para a abertura ao diálogo com as diferenças, movimento que considera essencial para uma sociedade comprometida com a dignidade humana.

A programação está dividida em três atividades diárias. Na quarta-feira (8), o seminário começa com a palestra “Como se constrói um saber?”, às 10h, com a participação da pesquisadora Carolina Martins, da Mestra Duca, do Bumba Meu Boi Mimo de Santo Antônio, e da Mestra Bita, do Boi de Pindaré. A conversa aborda a construção de saberes a partir de histórias de vida, experiências comunitárias e o cruzamento entre arte, cultura e educação.

Anúncios

No mesmo dia, às 17h, a conversa aberta “Cultura popular, juventude e urbanidade” reúne Mano Magrão, do movimento Hip-hop, Jhonatan Oliveira, do Boi de Maracanã, e Ju do Coroadinho, sob mediação de Vania Lucia Baptista Duarte. O debate enfoca as potencialidades educativas da cultura popular, com relatos de trajetórias em comunidades periféricas e o papel de expressões como o Tambor de Crioula, o Bumba Meu Boi e o Rip-hop como linguagens de emancipação em territórios marcados pela ausência do poder público.

A primeira noite de programação termina com a exibição do documentário “Onde a coruja dorme”, que mostra a relação do sambista Bezerra da Silva com compositores anônimos das favelas cariocas e da baixada fluminense.

Anúncios

Na quinta-feira (9), a palestra matinal, às 10h, fica por conta de Manoel Barros (Manuelzinho), que fala sobre “Entre renovação e permanência: saberes em rotação no Baile de São Gonçalo na Baixada Maranhense”. A apresentação traça a trajetória da manifestação desde sua origem em Portugal até sua adaptação no Maranhão, destacando as diferenças entre o Auto na Baixada e o Folguedo nas regiões dos vales do Munim, Periá e Baixo Parnaíba. O palestrante aborda ainda o papel da oralidade nos preparativos e na execução do auto, além das tensões entre tradição e mudança.

Às 17h, a conversa “Educação para a liberdade” reúne Vania Lucia Baptista Duarte, Liça Pataxoop e Saniwe Pataxoop, com mediação de Carolina Martins. A mesa discute os diálogos possíveis entre a educação popular e os projetos institucionais de ensino, bem como as incongruências entre esses sistemas. Os convidados compartilham vivências como ativistas por uma concepção ampliada de educação, que considera os modos de vida, contextos e expectativas dos educandos.

Anúncios

A exibição da noite de quinta é “Latcho Drom”, um ensaio etnográfico sobre a cultura cigana que percorre a trajetória da comunidade Rom da Índia até a Espanha, passando por Egito, Turquia, Romênia, Hungria, Eslováquia e França.

Na sexta-feira (10), a programação começa com a palestra “Histórias da Antiguidade (Popular Brasileira)”, ministrada por Ana Lívia Bonfim Vieira, às 10h. Ela propõe a existência de uma História Antiga do Brasil e do Maranhão, questionando a nomenclatura de “Pré-História” usada pela historiografia tradicional. A palestra busca demonstrar a riqueza cultural desse período a partir das permanências de práticas de produção material e imaterial que seguem vivas.

Anúncios

A última conversa aberta, às 17h, tem como tema “A toada: o ponto do saber”, com a participação de Ribinha de Maracanã, Darlan Passos e Jacyara Vieira, sob mediação de Marcos Tadeu. Mestres da toada representantes do Bumba Meu Boi da Baixada, do Bumba Meu Boi de Matraca e do Tambor de Crioula revisitam suas histórias de formação, suas relações com as brincadeiras e com seus mestres, e o processo de tornar-se artista cantador, destacando o compromisso com a coletividade.

O seminário se encerra com a exibição de “Antiguidades do Maranhão – Temos uma antiguidade”, websérie de 22 minutos produzida a partir do doutorado do pesquisador Marcos Tadeu Nascimento da Silva, que discute os contextos históricos de ocupação humana no território maranhense.

Anúncios

Todas as atividades têm classificação livre e não exigem inscrição prévia. O CCVM fica na Avenida Henrique Leal, 149, no bairro Praia Grande.

Leia outras notícias em cubo.jor.br. Siga o Cubo no BlueSky, Instagram e Threads, também curta nossa página no Facebook e se inscreva em nossos canais, do Telegram e do Youtube. Envie informações e denúncias através do nosso e-mail.

Deixe um comentário

Anúncios
Anúncios
Image of a golden megaphone on an orange background with the text 'Anuncie Aqui' and a Whatsapp contact number.
Anúncios