A produção audiovisual que nasce no Maranhão chega ao centro do país com força de cinema e memória. Entre os dias 9 e 31 de julho, a Casa da Cultura da América Latina (CAL), em Brasília, sedia a primeira Mostra de Imagem em Movimento (MAPA), com exibição de curtas-documentários assinados por cinco artistas maranhenses. A entrada é gratuita.
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Os cineastas Acaique, Dinho Araújo, Inke, Ramusyo Brasil e Silvana Mendes representam o estado com obras que partem de vivências às margens da Estrada de Ferro Carajás (EFC) e dialogam com tradições populares, paisagens e identidade negra. As produções integram um conjunto de dez trabalhos (os outros cinco são de artistas do Pará) e ficam em cartaz na galeria da CAL, com sessão de abertura marcada para as 19h do dia 9.
Antes de chegar a Brasília, o MAPA já havia percorrido praças de São Luís em um formato de cinema a céu aberto, com projeções de videomapping que atraíram centenas de espectadores. As exibições ocorreram nas praças Nauro Machado e Valdelino Cécio e serviram como aquecimento para a temporada na capital federal.
A mostra é realizada pela OPACCA Produção de Imagem, com articulação e parceria da Vale, por meio de Recursos para Preservação da Memória Ferroviária (RPMF), e tem iniciativa da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Segundo o curador e coordenador-geral do projeto, João Pacca, a proposta é ampliar o diálogo entre território, linguagem e curadoria contemporânea.
“O MAPA nasce do encontro entre arte, território e memória. Os artistas do Maranhão transformam experiências locais em narrativas capazes de dialogar com públicos de todo o país, mostrando que o ‘MAPA’ do Nordeste brasileiro também é um espaço de inovação e produção audiovisual contemporânea”, afirma Pacca, em nota.
As obras maranhenses em exibição são: “Uma Casinha no Trilho”, de Acaique; “História da Terra”, de Dinho Araújo; “Frágil Dureza”, de Inke; “Temp(l)o do Rosa Fixado”, de Ramusyo Brasil; e “Sol de Meio Dia”, de Silvana Mendes. A mostra também traz entrevistas inéditas com os artistas, bastidores de produção e um recorte especial das videoinstalações realizadas no Maranhão.
Em depoimentos divulgados pela organização, os artistas explicam as motivações por trás dos trabalhos. Acaique, natural de Coroatá, na região dos Cocais, lembra da infância observando os trabalhadores do trem de carga. “Eu ficava comovida pela natureza real das coisas”, diz.
Dinho Araújo, antropólogo, revisita o bumba-meu-boi e o paisagismo como forma de construir um olhar poético sobre o movimento. “Minha perspectiva para esse projeto é apresentar uma mirada sobre a história que não se configura apenas como uma história humana”, comenta.
Inke aborda a diáspora e a população negra que depende do trem como meio de transporte acessível e de baixo custo. Já Ramusyo Brasil centra seu trabalho em inquietações políticas e experiências vividas. Silvana Mendes, por sua vez, destaca a memória como ferramenta de resistência. “Se você tira a identidade de um povo, você transforma ele em qualquer coisa que você quiser”, afirma.
Ao lado dos maranhenses, participam da mostra os paraenses Bárbara Savannah, Ícaro Matos, Juruna, Leonardo Venturieri e Rafa Cardozo, com obras que também partem de vivências ao longo da Estrada de Ferro Carajás. Os títulos incluem “Tudo é Correnteza”, “Um Horizonte em Movimento”, “Travessia”, “Todo trajeto, também é um rio” e “Alvorada e Fuga”.
A exposição fica aberta ao público de segunda a sábado, das 10h às 19h, até o fim de julho. A CAL fica no Setor de Clubes Sul, quadra 4, bloco A, lote 170, na Asa Sul, em Brasília.


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