Semifinalista do Prêmio Kindle Vozes Negras 2025, o livro “Terra Batida”, da escritora Rute Ferreira, destaca a força dos afetos e da memória na literatura contemporânea feita no Maranhão. A obra une o misticismo local a uma sensível história de amor entre duas mulheres, ambientada em uma isolada vila de pescadores no litoral maranhense.
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Conduzido de forma não linear, o enredo é tecido pela voz de uma mulher morta que reconstrói suas próprias memórias. Desse plano, ela evoca dois passados: um recente, marcado pelo luto e pelo desejo de prestar os devidos ritos fúnebres a um familiar contra as leis não escritas da comunidade, e um mais antigo, que guarda a lembrança de uma história de amor que também insurge contra as regras do lugar. Nesse cenário litorâneo, o afeto sutil entre as protagonistas divide espaço com as tensões do território, onde as dunas e os manguezais se tornam testemunhas do desmatamento, da exploração e de disputas pela terra.
A autora afirmou que escreveu o livro porque queria abordar o amor e a morte, o luto e a solidão, temas que a atravessam como leitora. Segundo ela, também buscou investigar como o amor entre duas mulheres poderia ser descrito e vivido numa comunidade isolada, num cenário de tantas tensões, e qual seria o lugar do afeto nessa cena. Rute procura nos símbolos, de pinturas a cartas de tarot, caminhos para responder a questões como essa.
Formada em Teatro e mestre em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Maranhão, onde estudou a relação entre a pintura e a escrita, a autora transporta para a literatura uma forte sensibilidade visual. Ela é autora de outros quatro livros, incluindo o romance “Bordado em Ponto Corrente” e coletâneas de contos que exploram o cotidiano e as miudezas das relações humanas. Neste ano, a escritora circula por diferentes estados brasileiros integrando o projeto Arte da Palavra, do Sesc, ministrando oficinas de escrita e criação literária.
Com uma trajetória que segue conquistando leitores e gerando debates, “Terra Batida” e a literatura de Rute Ferreira ganham ainda mais relevância na pauta cultural neste período em que se celebra o Mês do Orgulho LGBT+, destacando-se como uma leitura sobre a diversidade de afetos e a permanência da memória.
Viabilizado de forma independente por meio de financiamento coletivo, formato que marca a trajetória literária da autora junto ao seu público, “Terra Batida” está disponível em formato digital e também em formato físico diretamente com a autora.


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