O centro histórico da capital maranhense, palco cotidiano de encontros entre o sagrado e o profano, o tambor e o asfalto, será também ponto de partida para um lançamento literário que transforma conversa em documento de resistência. No dia 26 de junho de 2026, durante a Promessa do Tambor Sete Saias de São Benedito, ocorre o pré-lançamento do livro “Eu sou uma mulher de rua. Eu ando quase nua porque eu sou uma mulher crua”, de Ana Regina Arcanjo e Lygia Peçanha. A obra, que será lançada oficialmente em 2 de julho no Espaço Cultural Humberto de Maracanã, reúne memória, oralidade, cultura popular, espiritualidade e experiências vividas nas ruas da cidade.
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O título, que já carrega força poética, é também um manifesto. Criado a partir de uma entrevista entre as duas autoras, o livro percorre histórias ligadas ao Tambor de Crioula, às encantarias, à culinária e às formas de existência de pessoas que vivem e trabalham nas vias públicas de São Luís. A publicação transforma a conversa original em uma narrativa atravessada pelos modos de vida do cotidiano maranhense, revelando saberes, afetos e práticas que frequentemente permanecem à margem das narrativas oficiais sobre patrimônio e espaço urbano.
A obra começou como parte da coletânea “Amor Público” (2023), organizada pelo coletivo #Joyces, que reúne diferentes perspectivas sobre amor, sexualidade e afeto no espaço público, na política e na sociedade. Entre os textos que compõem a coletânea, a entrevista com Ana Regina Arcanjo foi escolhida para ganhar uma edição própria e tradução para o espanhol. A iniciativa nasce do desejo de fortalecer conexões entre territórios latino-americanos e aproximar experiências ligadas às matas, aos encantados e às formas coletivas de resistência, cuidado e transmissão de conhecimento.
Ana Regina Braga Arcanjo, nascida em Codó (MA) em 1972, é artista da cultura popular, artesã, educadora, gestora em turismo e pesquisadora em comunidades tradicionais. Desde 2016 é coreira-mestra do Tambor de Crioula Sete Saias de São Benedito. Em diálogo com Lygia Peçanha, artista, pesquisadora e integrante do coletivo #Joyces, a publicação constrói uma narrativa marcada pelo encontro entre memória, escuta e experiência compartilhada.
A edição bilíngue (português-espanhol) foi realizada por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), através do Edital Geral para Fomento de Iniciativas Artístico-Culturais da Prefeitura de São Luís. Além da publicação impressa, o projeto conta com uma composição musical inédita da artista Camila Reis, criada especialmente para o livro, bem como uma versão em audiolivro e uma paisagem sonora desenvolvidas em parceria com a artista Paola Ribeiro.
O pré-lançamento está marcado para o dia 26 de junho de 2026, das 16h às 18h, no Coreto da Praia Grande, localizado na Avenida Beira-Mar, Centro Histórico de São Luís. O lançamento oficial será no dia 2 de julho de 2026, das 17h às 20h, no Espaço Cultural Humberto de Maracanã, no Complexo Trapiche Santo Ângelo, na Avenida Senador Vitorino Freire, Praia Grande. A programação contará com roda de conversa entre as autoras, com participação de Camila Reis e mediação de Júlia Martins. Encerrando o evento, haverá apresentação do Tambor Sete Saias de São Benedito.
A prévia do livro está disponível para consulta em link na internet. A programação e atualizações podem ser acompanhadas nos perfis do Instagram do coletivo #Joyces (@umaquestaodejoyces) e do Tambor Sete Saias de São Benedito (@tc07saiasdesaobenedito).


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