O São João nordestino, celebrado como sinônimo de alegria e tradição, foi palco de um episódio de violência na noite de sexta-feira (5). Uma apresentação da Quadrilha Junina Estrela do Luar, realizada no estacionamento do Sobral Shopping, foi interrompida por um casal de idosos de 69 e 66 anos. O motivo: a estrela estampada no colete do animador da quadrilha foi confundida com o símbolo do Partido dos Trabalhadores (PT).
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De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela agremiação, o casal invadiu o espaço da dança, passou a atacar os integrantes, tentou arrancar as vestimentas dos artistas e proferiu insultos racistas e LGBTfóbicos contra os brincantes. A Polícia Militar foi acionada para conter os ânimos e conduziu os envolvidos à delegacia.
A Estrela do Luar, que utiliza uniforme amarelo com a imagem de um homem em trajes típicos do Nordeste, além de um sol, uma lua e a estrela ao fundo, afirmou que o ataque foi motivado por “divergências político-ideológicas”. Em nota, o grupo afirmou que a mulher tentou puxar a roupa do marcador da festa e também abordou agressivamente a cantora da quadrilha, prejudicando o encerramento do espetáculo.
“A situação agravou-se quando a senhora envolvida dirigiu-se de forma hostil ao nosso marcador, tentando puxar sua roupa e interromper sua atuação”, descreveu a quadrilha. “Esse tipo de ataque ultrapassa qualquer limite do direito à opinião e desrespeita a cultura popular.”
Os idosos foram autuados pelo crime de constrangimento ilegal, mas liberados em seguida. Como os nomes não foram divulgados, não foi possível localizar a defesa.
O Sobral Shopping condenou o episódio em nota. “O empreendimento repudia toda e qualquer forma de violência, discriminação, racismo, homofobia, transfobia, xenofobia ou qualquer atitude que atente contra a dignidade humana”, disse o estabelecimento, que afirmou ter prestado apoio aos membros da quadrilha.
A Federação das Quadrilhas Juninas do Ceará também se manifestou. A entidade classificou as agressões como “inaceitável associação do símbolo de uma estrela a uma legenda partidária” e disse que o caso configura “um atentado à liberdade de expressão artística e à diversidade cultural que o São João celebra”.


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