No campo forense, a tarefa de diferenciar gêmeos do mesmo gênero ou pessoas muito parecidas pode ser complexa e desafiadora. Entre os métodos disponíveis para identificação de rostos por peritos, uma combinação entre análises foto-antropométricas (de medidas faciais), holísticas e morfológicas pode ser mais eficaz para superar limitações de sistemas automáticos e análises isoladas em casos de gêmeos. Os métodos aplicados separadamente se mostraram insuficientes para distinguir pessoas idênticas (gêmeos monozigóticos) ou muito parecidas (gêmeos dizigóticos).
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Estes foram os resultados de um estudo publicado nesta sexta-feira (20) na revista CEFAC (Current Evidence on Feeding, Audiology and Communication). A pesquisa foi conduzida por pesquisadoras da UFS (Universidade Federal de Sergipe), Unifran (Universidade de Franca) e do curso de pós-graduação CEFAC-Parole.
Para realizar o estudo, foram selecionados 30 pares de gêmeos (60 indivíduos) com idades entre 16 e 47 anos, a maioria (25) monozigóticos. Para garantir a validade da análise facial, os candidatos não podiam ter cicatrizes, deformidades, cirurgias prévias ou procedimentos estéticos. As imagens foram coletadas de forma remota pela plataforma zoom e passaram por um tratamento para garantir que elas fossem comparáveis. “Buscamos fugir das condições controladas de laboratório e dos espaços ideais porque, para aplicação forense, é importante testar a identificação em contextos de uso real e cotidiano, inclusive porque essas plataformas gratuitas podem ser utilizadas para fins ilícitos ou em crimes cibernéticos”, justifica a fonoaudióloga Carla César, pesquisadora da UFS e autora do artigo.
Foram aplicadas três técnicas de análise: a holística, que compara simetrias e olha para a face como um todo,; a morfológica, que considera 28 itens específicos, como o formato, tamanho, cor e textura da testa, olhos, nariz, boca, orelhas, pintas, sardas, entre outros detalhes; e a foto-antropométrica, que é feita por meio de um software brasileiro gratuito chamado SAPO e mede as distâncias lineares da face. A partir do levantamento de dados foi possível verificar a eficácia de cada método na identificação de indivíduos, não apenas no reconhecimento.
“Para a segurança pública, esse tipo de pesquisa é extremamente importante, porque as tecnologias que vêm sendo usadas em câmeras e sistemas de biometria de bancos, têm chances muito grandes de erro na identificação de pessoas que são muito parecidas”, reflete César. O grupo de cientistas espera que o estudo auxilie na elaboração de diretrizes para identificação de indivíduos na área da perícia.


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