O presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, atuou como intermediário na negociação para a venda da TankGás, uma empresa de gás de cozinha vinculada a dois acusados de comandar um mega-esquema de lavagem de dinheiro para o PCC. A informação é baseada no relato de três líderes do setor de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) que pediram anonimato por temer represálias.
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De acordo com as fontes, em abril de 2024, Rueda convidou um executivo do setor para uma reunião em Brasília com Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”. Na ocasião, Leme se apresentou como investidor da TankGás. Um mês depois, os ativos operacionais da empresa foram vendidos para a Consigaz, de São Paulo.
Beto Louco e seu sócio, Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, são apontados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público de São Paulo como líderes de uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro por meio de fraudes fiscais em combustíveis e fundos de investimento. Ambos são considerados foragidos pela Justiça.
Segundo as fontes, a reunião em Brasília teve como objetivo discutir a venda da TankGás. O executivo convidado por Rueda relatou surpresa ao encontrar Beto Louco no local, que já era investigado pela Operação Cassiopéia desde março de 2023. Na ocasião, Beto Louco teria oferecido a operação de GLP da empresa por R$ 60 milhões, proposta que o executivo se recusou a levar adiante.
A TankGás, com sede em Jandaia do Sul (PR), aproveitava-se de uma lei estadual que permite o envase de botijões de outras marcas, uma prática contestada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) e alvo de ações judiciais de concorrentes. A pressão do mercado teria motivado a decisão de vender a empresa.
Em maio de 2024, os ativos da TankGás foram adquiridos pela Consigaz. A empresa afirmou que a compra foi estratégica e que as tratativas foram realizadas com os representantes legais da TankGás, negando qualquer contato com Beto Louco ou Primo. A intermediação do negócio foi feita pela Ruby Capital, que compartilha CNPJ com o fundo Altinvest Asset, alvo da Operação Carbono Oculto da PF sob suspeita de lavar dinheiro para o PCC.
Investigação apurou que Beto Louco, Primo e Antonio Rueda compartilhavam voos em jatos executivos da TAP (Táxi Aéreo Piracicaba). Em depoimento à PF, o piloto Mauro Mattosinho, ex-funcionário da empresa, afirmou que Rueda é sócio oculto de quatro aeronaves da TAP – alegação que o político nega.
Antonio Rueda negou categoricamente ter participado de qualquer reunião sobre a TankGás ou ter vínculos com os fatos citados. No entanto, ele não respondeu a questionamentos específicos sobre se conhece Beto Louco ou Primo, mesmo após ser perguntado três vezes. Na última tentativa de contato, uma semana após o primeiro, Rueda não se manifestou.
Os advogados de Beto Louco e Primo também não responderam aos pedidos de posicionamento.
A reportagem apurou que a TankGás operava transportando botijões envasados no Paraná para São Paulo, explorando a brecha na legislação paranaense. Uma fiscalização da ANP em 2023 encontrou 272 botijões de outras marcas nas instalações da empresa. Um ex-motorista da TankGás confirmou, em ação trabalhista, que fazia duas viagens por semana de Jandaia do Sul para São Paulo.
O caso da TankGás ganha contornos nacionais com a possibilidade de a ANP flexibilizar a regra de envase em todo o país, permitindo que qualquer empresa envasse botijões de marcas diferentes. O relatório que propõe a mudança foi aprovado pela agência em julho. Representantes do setor, como o presidente do SindiGás, Sergio Bandeira de Mello, alertam que a medida pode facilitar a entrada e atuação do crime organizado no mercado de GLP, sem benefícios comprovados de redução de preços ou aumento da competitividade.
A TankGás foi uma das empresas ouvidas pela ANP durante a fase de discussão da proposta.
Com informações do ICL Notícias.


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