A cobertura da vacina BCG, que protege contra as formas graves da tuberculose, despencou no Nordeste brasileiro na última década, com o Maranhão figurando entre os estados com as quedas mais acentuadas. É o que revelam dados dos Indicadores de Imunização do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), compilados e analisados pela Agência Tatu.
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A taxa de cobertura vacinal para a BCG, cuja meta é de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde, registrou uma queda de 7% na região entre 2014 e 2024. O Maranhão, ao lado da Bahia, destacou-se negativamente no período, ficando sistematicamente abaixo da meta no ano passado. O panorama representa um retrocesso significativo: em 2014, a cobertura regional era de 106%, ultrapassando a meta, mas a partir de 2019 o índice nunca mais foi alcançado.
A queda na imunização tem consequências diretas e já mensuráveis na saúde pública. De acordo com informações do Datasus, a incidência de tuberculose em crianças de 0 a 4 anos – público-alvo da vacina – aumentou 58,4% no Nordeste no mesmo período, saltando de 250 novos casos em 2014 para 396 notificações em 2024.
Para Jesem Orellana, epidemiologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a BCG é uma ferramenta crucial de saúde pública, essencial para controlar a doença e evitar gastos com tratamentos. O especialista aponta que o fenômeno da queda nas coberturas vacinais é mundial, mas é impulsionado por problemas específicos.
Segundo a análise do pesquisador, a recusa vacinal e o crescimento do movimento negacionista em relação à ciência estão entre as principais causas da menor adesão. Problemas no registro das doses aplicadas, especialmente em maternidades, também seriam um fator que contribui para a distorção dos dados e a queda aparente.
Orellana ressalta que a diminuição da cobertura está diretamente ligada ao aumento da incidência da tuberculose, uma vez que o imunobiológico é específico para prevenir as formas mais graves da doença, como as variantes miliar e meníngea.
O gráfico de cobertura vacinal da BCG no Nordeste, que acompanha os dados, traça uma linha clara de declínio a partir de 2015, após anos de índices acima de 100%. A queda se acentuou drasticamente durante a pandemia de Covid-19, em 2020 e 2021, quando a cobertura chegou a 75%, e mostra uma recuperação lenta e insuficiente nos anos recentes.
A situação coloca o Maranhão e outros estados do Nordeste em alerta sanitário, com o risco concreto de surtos de tuberculose, uma doença que pode ser fatal e que havia sido controlada por décadas através de políticas eficazes de imunização.


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