O pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (Advec), alterou sutilmente o teor de suas declarações sobre os materiais apreendidos pela Polícia Federal (PF) durante uma operação no último dia 20 de agosto. A mudança, ocorrida durante um discurso em ato público na Avenida Paulista, aproxima sua versão dos fatos das investigações que apuram suposta obstrução da Justiça.
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Malafaia foi alvo de um mandado de busca e apreensão ao desembarcar no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, após uma viagem a Portugal. Na ocasião, agentes federais recolheram seu passaporte, telefone celular e cadernos de anotações.
Inicialmente, o pastor sustentou que todos os cadernos apreendidos eram utilizados exclusivamente para estudos e esboços de pregações bíblicas, alegando perseguição religiosa. Entretanto, em seu discurso no dia 7 de setembro, Malafaia fez uma distinção. Relatou que, entre os cadernos, havia um específico no qual escreve seus discursos e os vídeos que grava. De acordo com sua nova narrativa, o delegado presente teria sinalizado a intenção de liberar três cadernos de anotações bíblicas, mas decidiu apreender o quarto, dedicado aos vídeos, após contato com superiores em Brasília.
A alteração na fala do pastor coincide com as linhas investigativas da PF. De acordo com relatório da operação, as investigações apontam que Malafaia atuaria em conluio com o ex-presidente Jair Bolsonaro para instrumentalizar suas redes sociais. O objetivo da suposta articulação seria coagir ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) durante o julgamento de Bolsonaro pela tentativa de golpe de Estado em 2022.
A PF baseia suas suspeitas em uma série de conversas recuperadas do celular do ex-presidente, apreendido no início de agosto. As mensagens, que haviam sido excluídas, indicariam uma estratégia de usar a influência de Malafaia sobre seu público para propagar ataques ao STF. A investigação trata ainda de uma suposta articulação para lobby junto a autoridades americanas visando a aplicação de sanções contra autoridades brasileiras.
As redes sociais do pastor são um dos principais vetores de críticas ao Supremo, com o próprio Malafaia frequentemente se referindo ao ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito, como “ditador da toga”. A PF suspeita que o conteúdo dos vídeos, planejados nos cadernos agora apreendidos, fosse parte integrante dessa estratégia.


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