Os números impressionam: soja e milho representam mais de 90% da produção agrícola do Maranhão. Um domínio quase absoluto, que revela muito mais do que uma escolha produtiva, expõe um projeto de subordinação do estado aos interesses do agronegócio. Enquanto o campo maranhense se transforma em um mar de monoculturas, a soberania alimentar da população fica à deriva.
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Não é normal que dois únicos grãos ocupem quase a totalidade das terras cultiváveis de um estado. Essa distorção é fruto de décadas de políticas que priorizam a exportação em detrimento da alimentação do povo. A soja e o milho que dominam o Maranhão não viram farinha, não viram bolo, não viram comida. Viram ração para animais no exterior e lucro para meia dúzia de gigantes do setor.
Enquanto isso, cultivos tradicionais, como arroz, feijão, mandioca e frutas, são empurrados para as margens. O resultado é um estado que produz riqueza, mas importa comida. Um absurdo que fica ainda mais grave quando lembramos que o Maranhão possui um dos maiores índices de insegurança alimentar do país.
Quem Lucra com os 90%?
A resposta está no próprio texto: grandes corporações como Bunge, Cargill e Bayer, que controlam desde as sementes até a venda final. O modelo é simples: grandes propriedades engolem áreas antes cultivadas por agricultores familiares; Pacotes de transgênicos e agrotóxicos amarram o produtor a um punhado de empresas; Os lucros vão para acionistas estrangeiros, enquanto os passivos ambientais e sociais ficam aqui.
É um sistema perfeito, para eles. Para nós, sobra o rastro de destruição: desmatamento, contaminação por agrotóxicos e o esvaziamento do campo.
Enquanto 90% da produção for voltada para atender o mercado externo, o Maranhão continuará refém. Precisamos de políticas que: Incentivem a diversificação agrícola, com apoio real à produção de alimentos; Fortaleçam a agricultura familiar e camponesa, garantindo crédito e assistência técnica pública; Priorizem a compra local para merendas escolares e programas sociais.
O Maranhão não pode ser refém de um modelo que enriquece poucos e empobrece muitos. Chega de depender de 90% de soja e milho. É hora de plantar comida, é hora de colher soberania.
Porque um estado que não produz o que come, não é dono de seu próprio futuro.


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