Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) revelam que a aquisição de armas por caçadores, atiradores e colecionadores (CACs) caiu drasticamente desde o início do governo Lula, em contraste com o recorde registrado no último ano da gestão Bolsonaro. Em 2024, foram compradas 39.914 armas — uma redução de 91% em relação às 448.319 adquiridas em 2022.
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Apesar da queda geral, chama atenção o aumento de 17,4% na compra de fuzis nos primeiros quatro meses de 2025 (1.248 unidades) em comparação com todo o ano de 2024 (1.063). As pistolas continuam sendo as mais adquiridas, seguidas por carabinas, espingardas e revólveres.
O governo Lula reverteu políticas de flexibilização do armamento civil, reintroduzindo limites por categoria de CACs e exigências mais rigorosas, como verificação de antecedentes criminais e avaliação psicológica. Enquanto no governo Bolsonaro um CAC podia ter até 60 armas (30 de uso restrito), agora o limite máximo é de 16 (sendo oito restritas) apenas para atiradores de alto rendimento.
A fiscalização, antes a cargo do Exército, foi transferida para a Polícia Federal (PF), que assumiu o controle em julho deste ano. Apesar de a PF ter contratado 579 terceirizados para a tarefa — bem abaixo dos 3.000 solicitados —, a instituição afirma que já prendeu 70 CACs por crimes diversos em 2025.
Cerca de 7.600 armas de uso restrito compradas durante o governo Bolsonaro não foram recadastradas ou tiveram processos incompletos na PF, o que representa 15% desse tipo de armamento em posse de CACs. Além disso, um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que 5.200 condenados conseguiram manter registros de CACs.
Especialistas alertam que, embora a redução nas compras seja um avanço, o desafio maior é monitorar o arsenal já existente. “O desvio de armas de CACs para o crime organizado ainda é uma realidade”, afirma Roberto Uchôa, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
O Ministério da Justiça ainda não implementou o programa de recompra de armas anunciado em 2023, que poderia ajudar a reduzir a circulação de armamentos. Enquanto isso, a PF promete intensificar a fiscalização com a renovação dos certificados de CACs em 2026.
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