O ex-presidente Jair Bolsonaro sempre foi um crítico ferrenho das chamadas “minorias”. Para ele e seus seguidores, movimentos sociais, indígenas, negros, LGBTQIA+ e outros grupos oprimidos não passavam de “vitimistas” em busca de benefícios. A ironia cruel é que, agora, o próprio Bolsonaro se tornou o maior promotor do coitadismo político, usando sua saúde como palanque para tentar escapar das consequências de seus atos.
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Na noite deste sábado (3), o ex-presidente decidiu ultrapassar todos os limites do bom senso e da dignidade ao publicar em suas redes sociais uma foto explícita de seu intestino e vísceras expostos durante uma cirurgia. A imagem (que não vou compartilhar, pois é repugnante) é chocante e desnecessária, foi mais um capítulo de sua estratégia de vitimização, que se intensifica à medida que se aproxima o julgamento pelo possível golpe de Estado de 2022.
Hipocrisia do “Mito”
Bolsonaro construiu sua carreira política atacando quem, segundo ele, “se faz de vítima”. Agora, porém, ele mesmo se transformou no principal protagonista de um drama midiático, onde cada internação, cada dor, cada procedimento médico vira conteúdo para alimentar sua narrativa de perseguição. Enquanto milhares de brasileiros sofrem na fila do SUS, sem acesso a cirurgias ou tratamentos dignos, o ex-presidente usa seu privilégio de atendimento em hospitais de elite para gerar comoção – e, quem sabe, tentar adiar sua prestação de contas com a Justiça.
Não é a primeira vez que Bolsonaro recorre a táticas de vitimização extrema. Desde a facada de 2018, ele transformou seu histórico médico em um espetáculo público. Mas desta vez, a exposição grotesca de seu próprio corpo revela o desespero de um político que vê as paredes se fechando.
Repulsa até dos próprios aliados
O mais revelador foi a reação de seus próprios apoiadores. Muitos bolsonaristas manifestaram repulsa à publicação, questionando o tato político de expor algo tão íntimo e perturbador em um horário em que famílias estariam jantando. “Tão te levando pro abismo”, escreveu um deles. Outra seguidora pediu respeito, afirmando que a imagem “passou do tom”.
Se até seus fiéis escudeiros reconhecem o exagero, fica claro que Bolsonaro está perdendo o controle da narrativa. O que antes era visto como “coragem” ou “transparência” agora soa como mórbida manipulação.
Jogo político por trás das internações
Desde 2018, Bolsonaro já se internou 16 vezes e passou por sete cirurgias. Nos últimos três anos, foram oito hospitalizações – coincidentemente (ou não), sempre em momentos de crise política. Em 2022, após a derrota para Lula, ele foi internado. Em 2023, quando as investigações sobre o 8 de Janeiro avançavam, ele voltou ao hospital. Agora, em 2025, às vésperas de um possível julgamento no STF, ele reaparece com imagens dramáticas de sua cirurgia.
Não se trata de questionar a gravidade de seus problemas de saúde, mas de reconhecer o uso político que ele faz deles. Enquanto trabalhadores brasileiros enfrentam filas intermináveis por uma consulta, Bolsonaro transforma sua UTI em estúdio de transmissão, sua dor em espetáculo e sua recuperação em campanha.
Justiça não pode ser distraída por dramas pessoais
O Brasil não pode se deixar enganar. Por trás da imagem do “homem sofrido” está um político acusado de tentar destruir a democracia. Enquanto o debate público se concentra em suas cirurgias, o foco se desvia dos crimes que cometeu.
A Justiça não pode ser sensível a selfies da UTI ou a fotos de vísceras expostas. As investigações devem seguir seu curso, independentemente de quantas vezes Bolsonaro tentar se colocar no papel de mártir. O povo brasileiro merece respostas – e não um reality show de hospital.
Quem tanto criticou a “vitimização” hoje é seu maior praticante. A diferença é que, no caso dele, não se trata de lutar por direitos, mas de fugir da responsabilidade.
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