Um estudo inédito no Brasil revelou que aproximadamente um terço dos restaurantes listados no iFood, o aplicativo de entrega de comida mais utilizado pelos brasileiros, são dark kitchens. Essas cozinhas exclusivas para delivery ganharam força durante a pandemia de COVID-19 e apresentam características próprias, como a ausência de instalações para consumo no local e a localização em áreas mais distantes dos centros urbanos.
Os pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) apresentaram essas e outras conclusões em um artigo publicado na revista Food Research International. Para identificar e caracterizar as dark kitchens no aplicativo, a coleta de dados foi realizada em duas etapas. Na primeira, foram obtidos nome, URL endereço e CNPJ de 22.520 restaurantes de três centros urbanos (Limeira, Campinas e São Paulo). Na segunda, os primeiros mil estabelecimentos localizados a partir do centro de cada cidade foram classificados como dark kitchens (27,1%), standard ou restaurantes-padrão (65,2%) ou indefinidos (7,7%).
Os pesquisadores também constataram que as dark kitchens ficam mais distantes das regiões centrais e comercializam especialmente comida brasileira, lanches e sobremesas. Além disso, são mais baratos do que restaurantes convencionais. Outros dados extraídos da pesquisa incluem os tipos de comida mais servidos pelas dark kitchens e seus modelos de organização.
Os pesquisadores levantam ainda outra questão a ser esclarecida: as condições higiênico-sanitárias desses estabelecimentos. “Percebemos que esse modelo de restaurante parece estar às margens das legislações”, diz Diogo Thimoteo da Cunha, coordenador da pesquisa. Esse deve ser o foco dos próximos estudos do grupo.
O artigo completo pode ser lido em: www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0963996923005148?via%3Dihub.
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