Cenário atual demonstra que era cedo para flexibilizar completamente o uso da máscara. A população deve voltar a se cuidar, ressalta a especialista.
O recente aumento no número de internações mostra que a pandemia de covid-19 ainda não acabou. É o que alerta a professora Soraya Smaili, farmacologista da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, que foi reitora da universidade no período 2013-2021 e é coordenadora do Centro SoU_Ciência.
Segundo a farmacologista, a elevação de casos mostra que era cedo para flexibilizar completamente o uso da máscara. No estado de São Paulo, por exemplo, o uso deixou de ser obrigatório em 17 de março, após determinação do governo.
Entretanto, a média móvel de novas internações no estado, considerando UTI e enfermaria, aumentou 74% em três semanas. Os dados comparam os dias 6 e 27 de maio, quando as médias chegaram a 176 e 306, respectivamente.
Assim, a população deve voltar a usar máscaras. O Governo do Estado de São Paulo e a Prefeitura da capital voltaram a recomendar este uso em ambientes fechados. Contudo, outros cuidados também são necessários, como evitar aglomerações e continuar higienizando as mãos.
“Acabar com o uso de máscaras foi prematuro, não custava nada deixar o uso em ambientes internos. O fim do decreto de emergência sanitária também em nada ajudou. É preciso retomar o uso de máscaras e continuar a vacinação. Muita gente ainda não tomou a dose de reforço, que é fundamental para evitar a doença grave. A variante está circulando. Vamos usar a nossa máscara e evitar um problema maior”
Com base na flexibilização do uso de máscara e no aumento do número de casos, também fica evidente que as decisões relacionadas à pandemia de covid-19 devem ter como base a ciência. Afinal, pesquisas feitas nos últimos anos mostram que o SARS-CoV-2 tem uma grande capacidade de mutação e que a variante Ômicron, ainda mais transmissível que a original e que a Gama e Delta, cria sub variantes.
“Vamos tirar as máscaras do armário. Não vamos cair nessa armadilha, usar máscaras de maneira correta, de boa qualidade e em todos os locais fechados. Não vai prejudicar ninguém e pode estancar esse novo crescimento do virus”
Por fim, a situação só não está mais grave, como era no início da pandemia, devido às vacinas desenvolvidas graças à ciência. Por esse motivo, é essencial que todos estejam em dia com as doses, completando o calendário vacinal.
“As vacinas nos salvaram e continuam nos salvando, mas não existe milagre. É preciso evitar o surgimento de novas variantes e diminuir a circulação do vírus. A pandemia não acabou e temos que conviver com ela, a cada onda tomar as devidas providências. E atenção, aqueles que não tomaram as vacinas ou não completaram as doses, estão contribuindo para a continuidade da pandemia. Chega de dar chance ao vírus”, finaliza a especialista.
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