São Luís recebe entre 17 e 20 de junho de 2026 a segunda edição da MIRA – Mostra de Cinema Documental. Com o tema “Todas as águas correm para o mar”, o evento reúne exibições de filmes, debates, atividades formativas e encontros com realizadoras de diferentes regiões do país. A proposta da mostra é destacar a contribuição das mulheres para o cinema documental brasileiro.
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A homenageada desta edição é a cineasta paraibana Antônia Ágape. Ela é considerada uma pioneira negra do cinema na Paraíba e uma das vozes fundamentais da história do audiovisual brasileiro. Antônia se formou em Cinema Direto pela Associação Varan, em parceria com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Em 1982, ela realizou o curta-metragem “Às Cegas”. A obra permaneceu sem exibição pública durante mais de quatro décadas. O filme foi redescoberto a partir da pesquisa acadêmica desenvolvida pela cineasta e pesquisadora Carine Fiúza sobre mulheres negras no audiovisual brasileiro. A redescoberta transformou o filme em um símbolo da importância da preservação da memória e da valorização de trajetórias historicamente invisibilizadas.
A curadoria da edição de 2026 é assinada por Ingrid Barros, Camila Soares e Edileuza Penha. A programação propõe uma reflexão sobre memória, identidade, ancestralidade e criação audiovisual a partir das trajetórias de mulheres realizadoras. O tema “Todas as águas correm para o mar” utiliza as águas como metáfora para pensar a circulação de saberes, a construção das memórias e as conexões entre diferentes gerações de cineastas, pesquisadoras e produtoras culturais.
Entre os destaques da programação estão a roda de conversa “Cinema Documental no Feminino”, com Antônia Ágape, Safira Moreira e Karol Maia. Também está prevista a mesa “Eu Sou Uma Cineasta: Cinema, Memória e Travessia”, que reúne Antônia Ágape e Carine Fiúza. A aula magna “Tecendo Imagens, Bordando Memórias: Cinema Negro no Feminino” será ministrada pela pesquisadora, cineasta e professora Edileuza Penha. O evento contará ainda com o lançamento do filme “Aqui não entra luz”, da cineasta Karol Maia.
As atividades formativas ocupam lugar importante na programação. O público poderá participar das oficinas “Cinema Possível: Direção de Fotografia Inventiva”, com Rafaella Gonçalves, “Onde o Filme Deságua: Redes de Articulação e Cinema de Impacto”, com Camila Soares, e “Política da Memória – Imagens e Narrativas Negras”, conduzida por Safira Moreira. A mostra também realiza sessões voltadas ao público infantil por meio do Cine Erê, fortalecendo o diálogo entre cinema, educação e formação de novos espectadores.
O encerramento da programação contará com a exibição do longa-metragem “Cais”. Em seguida, haverá a performance “Mojubá”, da artista nortista Correnteza Braba, e um cortejo conduzido por Mestra Roxa e pelas Caixeiras. A organização do evento afirma que a celebração final procura reunir cinema, memória e cultura popular.
A MIRA é realizada pela Bicho d’Água Filmes & Cia. Chão de Cozinha. Em sua segunda edição, a mostra reafirma seu compromisso com a difusão do cinema documental brasileiro, promovendo encontros entre realizadores, pesquisadores, estudantes e público em geral. A programação articula exibição, formação e reflexão crítica sobre o audiovisual.
O evento tem entrada gratuita, com atividades formativas sujeitas a inscrição e seleção. Os organizadores informam que maiores informações podem ser obtidas pelo perfil oficial no Instagram (@mostramira). O projeto é viabilizado por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, no âmbito do Governo do Estado do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (SECMA) e do Ministério da Cultura – Governo Federal.


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