Uma garrafa PET pode levar até 450 anos para se decompor no meio ambiente. No ReciclaCirco, porém, esse material ganha um novo destino: deixa de ser resíduo para se transformar em ferramenta de aprendizado, criação artística e inclusão social. A partir da união entre arte circense e educação ambiental, o projeto mostra que aquilo que seria descartado pode se tornar oportunidade, conhecimento e transformação.
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Na semana em que se celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente, iniciativas que estimulam práticas sustentáveis ganham ainda mais relevância. É nesse contexto que o II ReciclaCirco – Escolas de Circo Sustentáveis inicia sua atuação em cinco comunidades de São Luís, promovendo ações gratuitas que unem cultura, conscientização ambiental e participação comunitária. O projeto é idealizado pelo Coletivo O Circo Tá na Rua e conta com patrocínio da Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).
Após uma etapa preparatória realizada em abril, o projeto chega aos territórios com uma programação voltada à mobilização comunitária, à educação ambiental e à formação artística. As ações contemplam as comunidades da Vila Bacanga, Sá Viana, Vila Nova, Vila Maranhão e Vila Ariri, fortalecendo o acesso à cultura e incentivando práticas sustentáveis nos bairros participantes.
Durante o período de preparação, artistas e educadores participaram de formações em acessibilidade, pedagogia voltada para crianças e confecção de malabares a partir de materiais recicláveis. O objetivo foi qualificar a equipe para uma atuação inclusiva, acolhedora e conectada às realidades de cada comunidade.
Programação
A programação de mobilização comunitária teve início no dia 29 de maio, na Vila Maranhão, e segue até 7 de junho com a ação “Vale Reciclar!”, que transforma espaços públicos em ambientes de encontro, aprendizado e valorização da cultura circense. Todas as atividades acontecem às 17h.
As próximas ações serão realizadas no dia 1º de junho, na Praça das Sete Palmeiras, na Vila Embratel; dia 5 de junho, na Orla da Vila Nova; dia 6 de junho, na Quadra da Vila Bacanga, com participação da comunidade do Sá Viana; e dia 7 de junho, na Quadra do Residencial Paraíso.
Além das apresentações culturais e vivências abertas ao público, cada encontro contará com uma campanha de arrecadação de resíduos sólidos que serão reutilizados nas oficinas do projeto. A comunidade poderá contribuir com garrafas PET de 1 litro e 1,5 litro, cabos de vassoura, papéis em geral, câmaras de pneu de bicicleta, latas de leite e meias usadas.
A programação inclui cortejos circenses, apresentações artísticas, pintura facial, distribuição de cartilhas educativas e atividades de sensibilização sobre descarte responsável e reaproveitamento de materiais. A proposta é aproximar a população de práticas sustentáveis de forma lúdica e participativa, demonstrando que resíduos podem ganhar novos usos e significados.
O projeto também chega em um momento importante para o setor cultural brasileiro. Neste ano, entrou em vigor a legislação que reconhece oficialmente a atividade circense como manifestação da cultura e da arte popular em todo o território nacional, reforçando seu papel histórico como instrumento de inclusão, identidade cultural e transformação social.
A partir de junho, terão início as oficinas de circo e de confecção de malabares reciclados, que seguem até outubro. Ao todo, 75 crianças e jovens participarão diretamente das atividades, em encontros semanais que combinam técnica circense, criatividade e educação ambiental.
Preservação ambiental na prática
No ReciclaCirco, a sustentabilidade não é apenas um tema abordado nas atividades, mas uma prática incorporada ao cotidiano do projeto. Garrafas, papéis, latas e outros materiais descartados passam a integrar o universo criativo das oficinas, sendo transformados em equipamentos circenses e instrumentos de cena.
Ao longo das atividades, crianças e jovens são incentivados a desenvolver a criatividade, a coordenação motora e novas formas de expressão artística a partir de materiais recicláveis. O processo estimula reflexões sobre consumo, descarte e preservação ambiental, demonstrando, na prática, como a reutilização pode contribuir para a redução dos impactos ambientais.
O projeto também inclui ações socioassistenciais voltadas às famílias dos participantes, fortalecendo vínculos comunitários e ampliando os impactos das atividades nos territórios atendidos.
“O ReciclaCirco nasce desse desejo de transformar realidades por meio da arte. Quando chegamos aos bairros com o circo e com a proposta da reciclagem, não estamos apenas ensinando uma técnica. Estamos criando possibilidades, despertando talentos e fortalecendo a autoestima dessas crianças e jovens”, destaca Donny Santos, coordenador do projeto.
O II ReciclaCirco será encerrado com um grande espetáculo aberto ao público, reunindo alunos e artistas profissionais em uma celebração dos resultados construídos ao longo de cinco meses de atividades.
O projeto é uma realização do Coletivo O Circo Tá na Rua, com patrocínio da Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), reafirmando o circo como ferramenta de educação, transformação social e cuidado com o meio ambiente.


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