Em um novo capítulo da turbulência política que assola o país andino, o Congresso do Peru destituiu o presidente José Jeri nesta terça-feira (17). Com apenas quatro meses no cargo, Jeri é o terceiro chefe de Estado consecutivo a ser removido do poder, ampliando a estatística que, nos últimos oito anos, já contabiliza oito presidentes diferentes no comando da nação.
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A decisão foi tomada com 75 votos a favor da destituição, 24 contra e três abstenções. Diferentemente de um processo de impeachment, que exige 87 votos no Legislativo de 130 membros, os parlamentares optaram por uma moção de censura. O mecanismo, aprovado por maioria simples, retirou Jeri da presidência do Congresso — cargo que ocupava e que, na ausência de um vice-presidente na chapa anterior, o havia levado ao Palácio do Governo em outubro.
A queda de Jeri é motivada por um escândalo que a imprensa local apelidou de “Chifagate”, em referência aos restaurantes chineses populares no Peru. Em janeiro, o agora ex-presidente foi filmado chegando a um restaurante durante a madrugada utilizando um capuz para se encontrar com o empresário chinês Zhihua Yang. O encontro não foi divulgado publicamente. Yang controla lojas e uma concessão para um projeto de energia no país.
Jeri assumiu a Presidência em outubro do ano passado, após o Congresso destituir por unanimidade a então presidente Dina Boluarte. Na ocasião, Boluarte perdeu o apoio de partidos de direita em meio a escândalos de corrupção e à crescente insatisfação popular com o aumento da criminalidade. Como Boluarte não tinha vice, Jeri, na qualidade de presidente do Legislativo, era o primeiro na linha sucessória.
Após a votação desta terça, Jeri declarou que respeitaria o resultado. Com sua saída, a Presidência do Peru seria assumida constitucionalmente pelo atual presidente do Congresso, Fernando Rospigliosi, que, no entanto, recusou o cargo.
Agora, os legisladores precisarão eleger um novo comando para o Congresso, e essa figura assumirá também a chefia do Executivo. O país vive a expectativa das eleições gerais, já marcadas para o próximo dia 12 de abril, na tentativa de pôr fim ao ciclo de instabilidade que tem consumido lideranças no Palácio de Pizarro.


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