Pesquisa revela divisão sobre feminismo no Brasil: maioria vê necessidade, mas rejeição ideológica é forte

Os dados mostram a população dividida em dois blocos principais.

Uma pesquisa nacional de opinião pública revela um cenário complexo sobre a percepção do feminismo no Brasil. Enquanto a maioria dos entrevistados (53%) acredita que o movimento é necessário, uma forte rejeição ao discurso associado à política e à ideologia surge como um dos destaques do levantamento. O estudo, encomendado pelo ICL e realizado pela Ágora Consultores entre 17 e 23 de novembro de 2025, ouviu 9.497 pessoas com 16 anos ou mais em todo o país, com margem de erro de um ponto percentual.

Os dados mostram a população dividida em dois blocos principais. O primeiro, que considera o feminismo necessário, é composto por 34% que acreditam que a sociedade é machista, violenta e desigual com as mulheres, e por 19% que acham a causa necessária, mas exagerada em algumas pautas.

Já o bloco que vê o feminismo como desnecessário agrupa 21% que defendem que homens e mulheres já têm os mesmos direitos e 22% que acreditam que o movimento foi “sequestrado” por interesses políticos. Outros 3% não souberam responder.

A análise por faixa etária aponta uma maior convicção sobre a desigualdade de gênero entre os mais velhos: 43% dos entrevistados com mais de 70 anos acreditam que o feminismo é necessário e a sociedade é machista. Entre os adultos de 30 a 44 anos, esse percentual cai para 29%. Como justificativa para defender a existência do machismo, os entrevistados citaram o noticiário, os índices de feminicídio e a experiência cotidiana com violências e disparidades salariais.

O alinhamento político mostrou-se um fator determinante. Entre os que se identificam com a esquerda, 76% concordam que o feminismo é necessário e a sociedade é machista. Na centro-esquerda, o índice é de 57%. Os percentuais despencam no centro (20%), na centro-direita (14%) e, principalmente, na direita, onde apenas 5% compartilham dessa visão.

Para Diego Villanueva, diretor da Ágora Consultores, determinadas palavras funcionam como “bombas” em uma perspectiva cultural, gerando rejeição imediata. O termo “feminismo” seria uma delas. Segundo a análise, há um afastamento conectado a um incômodo com o “politicamente correto”, visto por setores como uma tentativa de imposição de comportamentos e opiniões.

Contradições e nuances aparecem quando o tema é desvinculado do rótulo. Na seção sobre justiça, a situação que gerou mais indignação (42%) foi “saber que uma mulher negra recebe menos da metade do que um homem branco pelo mesmo trabalho”. A indignação foi maior entre mulheres e nas faixas etárias mais elevadas.

Quando perguntados se homens podem ser feministas, 32% responderam “sim, todos devem apoiar a igualdade de gênero”, 8% disseram “sim, mas o protagonismo tem que ser das mulheres”, e 23% afirmaram que homens podem ser aliados, mas não feministas. Já 26% disseram que “não, o feminismo virou um movimento contra os homens”.

Entre os que consideram o feminismo exagerado ou desnecessário, as justificativas mais comuns giram em torno de demagogia, militância exacerbada e “politicagem”. Nesse grupo, é frequente uma argumentação em prol do “humanismo” em detrimento de uma defesa específica das mulheres, com o feminismo sendo interpretado como uma “guerra dos sexos”.

O estudo, cujas conclusões estão sendo publicadas em primeira mão pela Revista Liberta, utilizou metodologia online com amostra estratificada por estado e controle por cotas de sexo, idade e área, seguida de procedimentos de ponderação e calibragem.

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