Um pedido de investigação criminal no Supremo Tribunal Federal (STF) coloca o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) no centro de um escândalo que envolve a máfia dos combustíveis de Minas Gerais. O requerimento, protocolado nesta quarta-feira (29) na Procuradoria-Geral da República (PGR) pelo deputado Rogério Correia (PT-MG), baseia-se em reportagem que revela ligações do parlamentar bolsonarista com o “cartel hardcore” do setor.
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Conforme as evidências apuradas, os vínculos de Nikolas Ferreira com o esquema são tanto financeiros quanto logísticos. O maior doador individual de suas campanhas foi o empresário Ronosalto Pereira Neves, do grupo Mart Minas, investigado pela Polícia Federal na Operação Ross. Neves confessou participação em um esquema de repasses ilícitos ligado ao ex-senador Aécio Neves e à JBS.
A conexão física se materializou no endereço de seus comitês eleitorais. Nas campanhas de 2020 (vereador) e 2022 (deputado federal), Nikolas Ferreira utilizou um posto de gasolina desativado na Avenida Silva Lobo, em Belo Horizonte, como sede de suas operações. O imóvel é registrado em nome da Du Pape Empreendimentos S.A.
A controladora do endereço é ligada aos empresários Ciro Augusto Bergomi Picarro e Augusto Joaquim Picarro, cujas empresas foram condenadas pela Operação Mão Invisível, que investigou cartelização, fraudes fiscais e manipulação de preços de combustíveis. O grupo Picarro acumula condenações por crimes como sonegação de ICMS, manipulação de bombas e manutenção de caixa dois.
O pedido de abertura de inquérito, que tramitará no STF devido ao foro privilegiado do deputado, solicita também que o Ministério Público Federal requisite medidas cautelares patrimoniais para evitar a ocultação de possíveis recursos ilícitos. Esta é a segunda vez que a atuação do parlamentar é alvo de uma notícia de fato na PGR, que já investiga suas declarações sobre o sistema Pix.


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