Em um episódio que explicita as fissuras no bloco de apoio ao governo Lula, o ministro do Esporte, André Fufuca, sofreu uma série de punições de sua legenda, o Progressistas (PP), por decidir permanecer no cargo e declarar apoio público ao presidente. Apesar da pressão, ele deve continuar no Ministério do Esporte, em uma demonstração de que o Planalto optou por desafiar a cúpula do partido.
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As sanções foram anunciadas oficialmente pelo presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira. Em nota, a legenda informou que Fufuca foi afastado de todas as decisões partidárias e da vice-presidência nacional. A punição mais severa, no entanto, foi a decisão de intervir no diretório estadual do Maranhão, reduto eleitoral do ministro, retirando-o do comando da sigla no estado.
A crise foi deflagrada após Fufuca discursar ao lado do presidente Lula durante evento do Minha Casa, Minha Vida em Imperatriz, no Maranhão, na segunda-feira. No palanque, o ministro afirmou estar com Lula e fez um elogio aberto a programas sociais do governo. Ele também se referiu ao seu apoio a Jair Bolsonaro em 2022 como um “erro” que não se repetirá.
A decisão de Fufuca desobedece uma orientação formal da Executiva Nacional do PP, que, em federação com o União Brasil, determinou que todos os filiados com cargos no governo fossem desligados das funções sob pena de expulsão. A nota do partido foi taxativa ao reafirmar que a legenda não faz e não fará parte do governo atual, com o qual não possui identificação ideológica.
A destituição de Fufuca do comando do PP no Maranhão resolve um impasse criado pela federação com o União Brasil. A expectativa é que o comando do diretório estadual passe para o líder do União Brasil na Câmara, deputado Pedro Lucas (MA), que pode se tornar candidato a senador no lugar do ministro.
Apesar das sanções internas, a legenda descartou, por enquanto, a expulsão de Fufuca.
O episódio ocorre em um momento em que o presidente Lula intensifica sua aposta em rachas internos de partidos do Centrão para fortalecer palanques locais para as eleições de 2026. Popularidade em recuperação, o petista tem sinalizado que não irá “implorar” por apoio das cúpulas partidárias, preferindo negociar diretamente com as bases e figuras regionais.
Enquanto as cúpulas do PP e do União Brasil se posicionam contra o governo, Lula mantém no primeiro escalão dois ministros dessas legendas: André Fufuca, no Esporte, e Celso Sabino, no Turismo. O presidente não deu qualquer indicação de que pretende demiti-los, aceitando o conflito interno das siglas como um novo eixo de sua articulação política.


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