Uma mudança brusca imposta pelo Governo do Estado transferiu à força a organização da Festa da Juçara das mãos da comunidade local para a esfera política. A decisão, que retirou a responsabilidade dos herdeiros históricos do evento e a entregou ao vereador Marlon Botão (PSB), é vista como um golpe contra a cultura popular.
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A festa, criada e mantida há 56 anos por moradores do bairro Maracanã, sempre foi um símbolo de resistência e identidade. Fundada por Rosa Mochel e Dona Cotinha, a celebração tinha na gestão comunitária a sua essência. Desde 2018, a neta de Dona Cotinha, Mayara Marques, conduzia a festividade, dando sequência ao legado familiar. Ela foi surpreendida com a própria substituição, sem qualquer consulta prévia à comunidade.
A nova gestão foi assumida por Aline Coutinho dos Santos, ex-assessora de Marlon Botão e atual diretora do Parque da Juçara, em uma clara indicação política. O ato gerou revolta e frustração entre moradores e líderes culturais, que acusam o governo de esvaziar o protagonismo popular e descaracterizar uma tradição secular.
A justificativa do governador Carlos Brandão (PSB), de que a mudança não seria uma retaliação pessoal contra Mayara – que agora assessora o vice-governador de outro partido –, foi recebida com ceticismo. Para a comunidade, a explicação soa como um pretexto frágil para uma manobra de aparelhamento.
A edição de 2025 da festa, portanto, inaugura um modelo imposto de cima para baixo, marcando o fim de uma era de autogestão e o início de uma fase de forte intervenção política sobre um dos maiores patrimônios culturais de São Luís.


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