Protecionismo dos EUA só fortalece a China e o Brasil deve aproveitar

A ironia é que os próprios EUA estão empurrando o Brasil para os braços da China.

📝 Este é um editorial do Portal Cubo.
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A decisão dos Estados Unidos de impor tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros é um tiro no pé que pode acelerar justamente o que Donald Trump mais teme: a consolidação da China como principal parceiro comercial do Brasil. Enquanto Washington aposta em políticas agressivas de “América First”, o governo Lula tem a oportunidade histórica de aprofundar laços com Pequim, diversificar mercados e reduzir a dependência de um parceiro que, historicamente, trata o Brasil como mero fornecedor de commodities.

A ironia é que os próprios EUA estão empurrando o Brasil para os braços da China. Os senadores que correm a Washington para tentar convencer Trump a recuar nas tarifas parecem ignorar o óbvio: os Estados Unidos não estão mais interessados em relações de igualdade. Querem acesso privilegiado ao nosso mercado, mas fecham as portas quando nossos produtos ameaçam sua indústria. Enquanto isso, a China não só compra nossa soja, nosso minério e nossa carne, mas também investe em infraestrutura, tecnologia e indústria nacional.

O resultado prático dessa política norte-americana será inevitável: o comércio Brasil-China, que já bate recordes ano após ano, vai se expandir ainda mais. Empresários brasileiros, diante das barreiras impostas por Washington, naturalmente buscarão alternativas no mercado asiático. E o governo, se for coerente com seu discurso de multipolaridade, deverá acelerar acordos que fortaleçam essa relação, como a ampliação de investimentos chineses em setores estratégicos (de energia limpa a semicondutores).

Não se trata de trocar uma dependência por outra, mas de reconhecer que o mundo mudou. Os EUA já não são o centro incontestável da economia global, e o Brasil não precisa ficar refém de um país que só nos enxerga como quintal. Se Trump insiste em fechar suas portas, que o façam. Nós, porém, temos de abrir ainda mais as nossas, para a China, para o BRICS, para a África e para quem mais estiver disposto a negociar com respeito.

O protecionismo dos EUA não isola a China, só acelera a ascensão de um novo mundo multipolar. E o Brasil, se souber jogar suas cartas com inteligência, pode sair ganhando.

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