Enquanto o governo Lula é pressionado por cortes de gastos, o Congresso aprova leis que aumentam despesas com os mais pobres, mas se recusa a tributar os ricos. A contradição fica mais evidente quando querem ajuste fiscal no lombo da classe trabalhadora, enquanto mantêm privilégios bilionários intocáveis.
A equiparação da fibromialgia à deficiência, o piso salarial para garis e o reajuste para médicos do SUS são medidas justas e necessárias. Mas por que só agora o Legislativo se preocupa com o impacto orçamentário? Onde estava esse rigor quando o governo Bolsonaro esbanjou R$ 40 bilhões no orçamento secreto? Onde está a preocupação com os R$ 500 bilhões anuais que vão para o pagamento de juros da dívida pública?
✅ Seja o primeiro a ter a notícia. Clique aqui para seguir o novo canal do Cubo no WhatsApp
O mesmo Congresso que aprova benefícios para os pobres sem calcular o custo trava a taxação de grandes fortunas, a reforma tributária progressiva e o fim de subsídios a bancos e grandes empresas. Se há dinheiro para isenções bilionárias ao agronegócio e ao mercado financeiro, por que não há para garantir um salário digno a quem varre as ruas ou para quem sofre com dores crônicas?
A verdade é que a elite política e econômica não quer um Estado eficiente — quer um Estado que sirva a seus interesses. Quando o assunto é gasto social, a discussão é sempre sobre “irresponsabilidade fiscal”. Mas quando o tema é privilégio dos ricos, o debate some.
Se o problema é o déficit, por que não se cobra mais de quem tem muito? Taxar dividendos (hoje isentos para acionistas bilionários); Aumentar a tributação sobre heranças e fortunas acima de R$ 10 milhões; Reduzir os juros da dívida pública, que consomem quase um terço do Orçamento; Acabar com isenções para setores superavitários, como bancos e exportadores de commodities.
Enquanto o debate fiscal for só sobre cortar direitos e não sobre distribuir riqueza, o Congresso continuará sendo um instrumento da desigualdade. Aprovar benefícios para os pobres é importante, mas insuficiente. É preciso enfrentar os privilégios dos que nunca precisaram de um BPC para sobreviver.
O Brasil não está quebrado. Está injusto. E enquanto o Congresso finge que o problema é o gasto com os pobres, os ricos seguem rindo — e lucrando — às custas do povo.
Leia outras notícias em cubo.jor.br. Siga o Cubo no BlueSky, Instagram e Threads, também curta nossa página no Facebook e se inscreva em nossos canais, do Telegram e do Youtube. Envie informações e denúncias através do nosso e-mail.


Deixe um comentário