Vereadora do PT é assassinada a facadas no interior do RS

Elisane era a única mulher em uma Câmara Municipal composta por nove homens

A morte brutal da vereadora Elisane Rodrigues dos Santos (PT), encontrada com dez facadas em uma estrada de Formigueiro (RS), é um crime político, um feminicídio que escancara os riscos enfrentados por mulheres que ousam ocupar espaços de poder em um país ainda dominado pelo machismo estrutural.

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Elisane era a única mulher em uma Câmara Municipal composta por nove homens, representando uma cidade pequena, onde a política costuma ser um reduto de velhas oligarquias e interesses conservadores. Sua atuação, segundo a própria Câmara, era marcada por “dedicação às causas sociais” – um perfil que, muitas vezes, desafia as estruturas tradicionais de poder.

O fato de não ter havido roubo descarta a hipótese de latrocínio, mas reforça outra possibilidade: a de que Elisane foi assassinada por ser mulher, por ser petista, por ser uma voz ativa em defesa dos mais pobres. O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) não hesitou em classificar o crime como “ódio”, e é difícil não concordar. Quantas mais precisarão morrer para que o Estado enfrente a violência política de gênero com a seriedade que ela exige?

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O caso de Elisane não é isolado. Em 2018, Marielle Franco foi executada no Rio de Janeiro por ser negra, favelada, feminista e de esquerda. Em 2023, a vereadora de Foz do Iguaçu, Josi Araújo (PT), sofreu um atentado a tiros. A cada eleição, candidatas relatam ameaças, assédio e intimidação. O Brasil é um dos países mais perigosos do mundo para mulheres na política, e essa violência tem endereço certo: ela mira justamente aquelas que desafiam o status quo.

Enquanto a mídia tradicional trata casos como esses como “crimes passionais” ou “isolados”, a estrutura que os alimenta segue intacta. A omissão do Estado na proteção de mulheres na política, a naturalização da violência de gênero e a crescente onda de ódio contra a esquerda criam um terreno fértil para tragédias como a de Elisane.

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É urgente que o movimento de mulheres, os partidos progressistas e as instituições democráticas pressionem por investigações rigorosas e por políticas efetivas de proteção às mulheres na política. Não basta decretar luto oficial – é preciso garantir que outras Elisanes não sejam silenciadas.

Enquanto o machismo e a intolerância política matarem nossas representantes, a democracia brasileira continuará sangrando. Elisane merece justiça. E todas nós merecemos um país onde ser mulher e lutar por direitos não seja uma sentença de morte.

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