Coronel reformado é investigado por incitar militares contra a democracia

A Polícia Federal apura a atuação do Comando C4, organização clandestina suspeita de reunir militares da reserva e civis para ações como espionagem, atentados e tentativas de golpe.

O coronel reformado do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, suspeito de integrar o grupo clandestino Comando C4, publicou vídeos nas redes sociais incentivando militares a violar a hierarquia e confrontar as instituições democráticas. As gravações, analisadas pela Polícia Federal na Operação Sisamnes, mostram o oficial fazendo apelos para que as Forças Armadas abandonem regulamentos e assumam uma postura de oposição aos Poderes da República.

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Em um dos vídeos, divulgado em março de 2023, Caçadini afirma que a hierarquia militar só deve ser respeitada “em tempos normais” e defende que, diante de uma “anormalidade institucional”, os princípios podem ser ignorados. Ele critica o Exército por não ter reagido à eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022 e alega que 99,9% dos militares de patentes intermediárias estariam insatisfeitos.

Em outra gravação, de agosto de 2022, o coronel sugere que oficiais intermediários poderiam liderar uma ruptura na cadeia de comando, comparando o momento ao tenentismo dos anos 1930. As declarações são investigadas como possível incitação à sublevação.

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Vínculo com grupo paramilitar

A PF apura o envolvimento de Caçadini com o Comando C4, organização acusada de planejar atentados e espionagem contra autoridades. Documentos apreendidos indicam que o coronel ajudou a financiar o grupo e participou de reuniões onde se discutiu a “eliminação” de ministros do STF e parlamentares.

Sua defesa alega que as falas foram tiradas de contexto e que ele apenas exercia liberdade de expressão. O STF, porém, manteve sua prisão preventiva, considerando “fortes indícios” de participação em ações contra a democracia.

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Pressão por transparência

A Comissão de Segurança Pública da Câmara estuda convocar autoridades para explicar os avanços da investigação. Entidades civis alertam para o risco de que outros militares estejam envolvidos em articulações semelhantes.

Enquanto isso, Caçadini segue preso em uma unidade militar em Cuiabá, aguardando julgamento. O caso ocorre em meio a tensões entre setores das Forças Armadas e o governo federal, reacendendo o debate sobre o papel dos militares na democracia.

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