Dados do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) revelam que a região Sul apresenta um dos piores cenários do Brasil: 35% da população entre 15 e 64 anos não consegue ler textos curtos ou fazer contas básicas. O índice supera a média nacional (29%) e fica atrás apenas do Nordeste, onde o problema atinge 42% dos adultos.
A pesquisa, realizada em 2024 com 2,5 mil entrevistados em todo o país – sendo 371 no Sul –, mostra que 30% dos sulistas estão no nível rudimentar (leem palavras isoladas, mas não interpretam frases) e 5% são analfabetos totais. O resultado preocupa especialistas, já que a região é frequentemente associada a indicadores socioeconômicos mais favoráveis.
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Ciclo de exclusão e perda de oportunidades
O analfabetismo funcional limita desde atividades cotidianas, como entender um rótulo de remédio, até a capacidade de discernimento no trabalho e na vida pública. “Essa deficiência aprisiona o indivíduo em um ciclo de vulnerabilidade: ele tem menos chances de emprego, dificuldade para acompanhar a educação dos filhos e maior exposição a golpes”, explica Patrícia Camini, professora da UFRGS.
No mercado de trabalho, o problema se reflete em erros de interpretação e necessidade constante de supervisão. Já na esfera política, a falta de letramento dificulta o acesso a informações confiáveis, aumentando a vulnerabilidade a notícias falsas.
Estagnação exige novas políticas
A persistência do índice – igual ao registrado em 2018 – indica a necessidade de estratégias mais eficazes. Para Marta Nörnberg, da UFPel, é urgente reforçar a alfabetização na infância e criar programas de educação continuada para adultos. “Não basta saber decodificar letras. É preciso garantir que as pessoas consigam usar a leitura e a matemática em situações reais”, afirma.
Enquanto o país não avançar no combate ao analfabetismo funcional, milhões de brasileiros seguirão excluídos de oportunidades básicas – um desafio que vai além da sala de aula e atinge o desenvolvimento econômico e social do país.
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