Um áudio obtido pela Polícia Federal (PF) revela o policial federal Wladimir Soares afirmando que o almirante Almir Garnier, então comandante da Marinha, apoiou um plano de golpe de Estado no Brasil. A gravação, periciada e incluída em processo no Supremo Tribunal Federal (STF), indica que a Marinha teria respaldado integralmente a conspiração.
“Exatamente. Garnier foi o único, cara. O único. A Marinha desde o começo foi a única que apoiou 100%. O resto tirou o corpo”, disse Soares em conversa com um interlocutor não identificado. O agente, preso em novembro do ano passado, era infiltrado na segurança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e integrava, segundo a PF, um esquema que planejava assassinar Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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Os áudios, divulgados parcialmente em fevereiro, mostram ainda que Wladimir mencionou estar “com Moraes na mira”. A investigação aponta que ele repassou informações estratégicas sobre a proteção do presidente, facilitando um suposto atentado.
Garnier, réu no processo sobre o plano golpista desde março, foi citado na delação premiada do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Mauro Cid, como um dos dispostos a participar de um golpe. A Procuradoria-Geral da República destacou que o almirante assinou documento defendendo acampamentos pró-Bolsonaro em frente a quartéis após a eleição de 2022.
Procurada, a defesa de Garnier negou as acusações, classificando o áudio como “conversa de botequim” e afirmando que o conteúdo “não foi considerado” pela PF e pelo Ministério Público Federal (MPF). A Marinha não se manifestou sobre o caso, mas já havia se posicionado publicamente contra qualquer ação golpista em 2023.
O STF deve analisar os novos elementos do inquérito, que investiga tentativas de desestabilização democrática após as eleições.
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